13 junho 2006

tanta água

domingo apanhei um escaldão. na suécia!


no maior lago da suécia, o terceiro maior da europa. estava sol e vento e havia muita água. parece um mar. carreguem na imagem se quiserem saber mais.


foi um dia bom. estes têm sido dias bons :o)

örebro

no sábado fui passear até örebro. é uma cidade maior que karlstad e parece mais pequena. mas tem uma portuguesa a morar lá.

foi muito bom falar português durante um dia inteiro :o) pode parecer estranho, mas faz tanta falta! fogem-me as palavras com o tempo e parece que cheguei a um país estranho quando tento falar português novamente.

esta portuguesa, ana paula, tem andado a saltitar de país em país e por cá encontrou qualquer coisa que a fez ficar. diz que o verão da escandinávia é o melhor verão do mundo, que a escuridão do inverno só se aguenta se não se desperdiçar nenhum raio de sol durante os dias de calor, e gosta tanto disto por cá que me picou o orgulho e fiquei cheia de vontade de dizer mal dos suecos - ainda mais do que o normal. hehe!


durante o dia todo andámos muito. passeámos pela cidade, espreitámos todas as barraquinhas da feira medieval, comemos pão com mel e cardamomo feito numa chapa quente, fomos até uma zona cheia de patos, gansos e vacas - que ela me disse que tinha sido criada há uns anos de propósito para chamar as aves (parece que as vacas estão lá para equilibrar o ecossistema).

o ponto alto do dia foi o jantar. sardinhas assadas! faz-me tanta falta comer peixe. já vos disse que por cá é só salmão e douradinhos? :o( uma miséria.

foi um dia muito bom.

gymnasiet

quando aqui se acaba a escola secundária, há sempre uma grande festa. cortejo pela cidade em jeito de parada. meninos e meninas de chapéu de marinheiro na cabeça (ninguém me soube explicar donde vem este modelo), passeiam-se em veículos* enfeitados a acenar à multidão - pais, avós, tias e tios, todos babados e satisfeitos com os meninos e com as meninas que já são crescidos. invariavelmente trazem uns cartazes com as fotos dos rebentos ainda em idade de fraldas, o nome e o ano em que estão a terminar o gymnasiet.


é mais um dia de bebedeiras. para estes finalistas o primeiro em que bebem às claras durante o dia todo e ninguém lhes diz nada. uma rapariga sueca da minha residência recordava, muito nostálgica: foi o meu melhor dia! começámos a beber às 7 da manhã enquanto preparávamos o carro e só acabámos no dia seguinte, já eram quase 6. mas aguenta-se tão bem. é que como sabemos que vamos beber o dia inteiro não é preciso bebermos à alarve para ficarmos mais bêbedos. duvido que consiga encontrar descrição mais clara do que esta acerca do que realmente este dia significa por estas bandas.

um pormenor engraçado: a maior parte destes alunos não faz ideia do que vai fazer a seguir. é normal tirar um ano de folga depois do gymnasiet, ou mais. há quem trabalhe, quem passeie, quem passe o ano a meditar acerca da vida. daí ser tão normal encontrar gente mais velha a estudar nas universidades suecas.

existem também muitas pessoas que decidem mudar de carreira a meio da vida e que regressam à universidade, já com filhos e vida feita (aquela vida feita que em portugal se parece tanto com uma via de sentido único, sem cruzamentos, entroncamentos ou possibilidade de inversão de sentido de marcha), para encontrarem outro rumo. sem vergonhas, sem remorsos, sem ninguém a olhar de lado. e com projectos de infantários para os filhos dos alunos em slgumas universidades.

*estes veículos tanto são a carrinha de caixa aberta do tio, o tractor do vizinho do lado, o carro de bombeiros (!) ou o descapotável que o papá comprou há 2 dias de propósito para o desfile.

hoje é dia de arregaçar as mangas...

... e colocar por aqui umas fotos e umas coisas que têm andado a pairar à minha volta, à espera que as apanhe e as partilhe com quem cá passa.

(e assim sempre adio mais um bocadinho o pânico de amanhã ir discutir os meus resultados com 3 (TRÊS!) professores. ai!)

09 junho 2006

os suecos dão cabo de mim

três dias de receios, de irritações, de pura fúria chegam ao fim. espero.

uma coisa tão simples como avisar que precisava de prolongar o contrato de arrendamento do meu quarto deu nisto (cronologicamente):

1º não podes continuar com este quarto;

2º podes, mas tens de falar com a coordenadora dos erasmus;

3º a coordenadora dos erasmus diz-me que não posso ficar com o quarto, que nem sequer tenho nada tratado para continuar nesta universidade e que os prazos já acabaram;

(O QUÊÊÊÊÊÊÊ?! pânico)

4º a coordenadora dos erasmus continua a tentar enegrecer o quadro, dizendo que nem me vou conseguir inscrever às cadeiras que quero, porque não tenho autorização e já não deve haver lugar.

eu: não vou ter cadeiras, não preciso.

ela: mas já acabaram os prazos e não te vais conseguir inscrever.

eu: não tenho cadeiras.

ela: já acabaram os prazos.

eu: NÃO TENHO CADEIRAS.

ela: JÁ ACABARAM OS PRAZOS.

(ãh?? a compreensão neste caso não é lenta, é inexistente :o\ ao pânico junta-se a fúria)

5º a secretária do departamento diz-me que afinal está tudo bem, ela é que me inscreve e o processo é diferente. milagrosamente diz que vai falar com a coordenadora dos erasmus acerca da inscrição e do quarto e de tudo.

(fixe :o) não vou ter de ser eu - não me apetecia nada repetir o ponto 4º...)

6º a secretária do departamento vem ter comigo muito contente e diz-me que está tudo tratado, mas que tenho de mudar de quarto - o ciclo fecha-se. o que é que eu vou fazer à tralha toda? o problema resolve-se em 2 segundos: se não arranjar mais nenhum lado, hão-de encontrar um cantinho escondido algures na universidade para eu plantar as minhas coisas durante o verão.

(bom. o pânico vai-se dissolvendo lentamente)

7º a razão para ter de mudar de quarto: no próximo semestre não vou ser considerada erasmus, e o quarto onde estou é para erasmus. respiro fundo para ganhar coragem (ai o ponto 4º!) e decido ir perguntar novamente à coordenadora dos erasmus se realmente não posso ficar no mesmo quarto (já me habituei às manchas de humidade no tecto, já são minhas amigas). triste decisão a minha.

ela: não podes, é para erasmus.

eu: mas...

ela: não te preocupes. tenho a certeza que se fores à STUB eles te arranjam outro quarto na mesma residência, provavelmente até no mesmo corredor.

eu: !!!

(expliquem-me lá a diferença entre eu ter outro quarto, namesmaresidênciamesmocorredor, e um erasmus QUE SÓ VEM EM AGOSTO E AINDA NÃO TEM A TRALHA TODA AQUI ir para esse quarto namesmaresidênciamesmocorredor?! ai...)

ideia brilhante: e se eu mudar o número aos quartos? são só umas plaquitas na porta mesmo...

8º de volta à STUB, para ver se sempre há esse tal quarto namesmaresidênciamesmocorredor. há. dois. o 47 e o 49. pertencem é à outra cozinha. aquela ainda mais suja do que a minha :o\ ponto positivo: vão estar ocupados em agosto também, por isso não preciso de pagar esse mês :o) outro ponto positivo: se pedir com jeitinho consigo deixar logo as minhas coisas lá. hehehe!

(volta a boa disposição. à boa maneira portuguesa - bom, à minha maneira - digo à mulher da STUB: que bom! sabe, quando cheguei aqui estava piúrsa, mas agora estou contente.
não sei bem o que ela pensou disto, mas riu-se. aqui riem-se sempre e nunca se consegue descobrir se é só boa educação ou não)

9º continua tudo a melhorar. afinal nem preciso de pedir com jeitinho. há uma rapariga sueca que não vai estar cá durante o verão e disse-me que podia deixar as minhas coisas no quarto dela. já tenho a chave e tudo! e o sol apareceu :o) sabem que estão 18 ºC agora? um luxo por estas bandas.

(a história ainda não tem ponto final porque me falta assinar novo contrato. escolhi o quarto 47. acham bem? parece que o papel de parede é mais bonito, mas vou ter de trocar a cadeira porque o estofo cheira mal. segunda sem falta vou armada de caneta até à STUB! vamos ver se corre bem...)

06 junho 2006

ai, os meus braços

no fim-de-semana passado fui fazer canoagem. em arvika, num dos 500 000 lagos que há neste país - glafsfjorden. querem tanto um fiorde à moda norueguesa que inventam nomes assim para os lagos, hehe.

foi muito bom.

uma alemã, juliane, trabalha num centro de canoagem e foi tudo atrelado a ela: eu, outro alemão chamado bernhard e o nigeriano isaac.

depois dos preparativos - ir buscar canoas, arranjar sacos-cama para toda a gente, colocar tudo em barris para não se molhar - fomos comer! salada de atum e feijão-frade. um começo bem português.


os músculos demoraram a habituar-se ao esforço, mas a paisagem fez esquecer a dor. depois dumas horas a remar, chegámos ao sítio do descanso: uma ilha com um abrigo preparado para quem por lá passasse e, espantem-se!, um wc. foi uma surpresa muuuuuuuuuuuuuuuuuito boa (a alternativa vinha connosco nas canoas - era uma pá).

ao que parece, a câmara constrói estes abrigos e, no início do verão, coloca até lenha para quem quiser fazer uma fogueira. nós chegámos cedo, tivemos de encontrar a nossa própria lenha. não podem ser só facilidades, né?


o jantar foi batatas assadas no fogo em papel de alumínio, salsichas e marshmallows como sobremesa. ah, e bananas com chocolate assadas à ceia. foi só comer! mas merecemos, tínhamos de repôr energias.


no dia seguinte, depois duma noite que nunca chegou bem a ser noite - estamos quase no maior dia do ano e já nunca fica completamente escuro, há sempre uma luminosidade arroxeada a marcar o horizonte, voltámos para o meio do lago.

desta vez remámos menos, estava toda a gente com mais vontade de apreciar a paisagem e andar devagarinho (cansados também, mas isso não se diz em voz alta).
depois duma paragem para almoçar - é verdade sim, passámos mesmo o fim-de-semana todo a comer - regressámos ao centro de canoagem, limpámos tudo e foi o fim.


quero ir outra vez!

01 junho 2006

granizo

rosenborg, 29 maio 2006

ai de quem me vier com a conversa do ai está tanto calor, nem consigo dormir bem de noite.

28 maio 2006

karlstad -> oslo -> karlstad

e sabem que não choveu? :o)

27 maio 2006

a segunda visita!

até julho espero mais três, mas estejam à vontade para surpreender.

24 maio 2006

livros

este ano fica só a vontade.
(suspiro)


mas para arrancar um sorriso:


"Ao ler o relatório estatístico das Bibliotecas de Lisboa (BLX) no ano de 2005 foi com bastante agrado que verifiquei que foram visitadas por 760.933 pessoas. Ou seja uma média quinzenal de 31.708 pessoas. Superior à media de assistência de jogos de futebol do Sporting (23.050) e do Benfica (26.697). (...) mesmo com um investimento mínimo as bibliotecas de Lisboa superaram em entradas os novos estádios de futebol em Lisboa que beneficiaram de um investimento máximo há pouco tempo."

roubei daqui.

23 maio 2006

coisas do agora e coisas do antigamente

gosto muito disto do agora. disto da internet e tretas do género. porque estou longe e não parece. qualquer que seja a altura, olho para o ecrã do computador e encontro sempre um amigo ou dois. podemos nem conversar, mas sei que se carregar lá e disser olá recebo outro olá de volta. a coisa está tão bem feita que posso até combinar idas às compras e acreditar nelas. assim durante dois instantes, enquanto não me lembro que me separam uns milhares de quilómetros da mercearia da esquina.

mas gosto. e gosto de estar a ler qualquer coisa parva e só um português entender e mesmo assim poder partilhá-la em dois cliques rápidos. porque há portugueses em todo o lado e no meu computador há muitos.

não sempre.

há aqueles momentos em que a saudade é tanta que não dá para fingir que a distância é curta. ou aqueles outros em que o rooter do moço do quarto de cima vai abaixo e ele não está lá para arranjar e não deixou a chave com ninguém e se desespera porque um computador sem internet já não serve para nada, muito menos para mandar acenos e adeuses para longe.

e nesses momentos é que suspiro.

lembro-me dos molhos de folhas escritas que tenho guardadas em casa, cheias de desabafos juvenis - tantos problemas e tão grandes e tão pequenos e tudo. conversas que duram anos ou só o tempo da volta do correio. são todas boas. sempre gostei muito de cartas.

gosto de pegar nelas ainda fechadas e tentar imaginar o que lá vem dentro. se risos, se choros, se muitas palavras, se poucas. gosto de me demorar na caligrafia da pessoa. tentar adivinhar a pressa ou o vagar com que escreveu. e sentir os sulcos que o bico da caneta imprimiu no papel. gosto de pensar que aquela carta é só para mim, que me vem alimentar a veia egoísta. e fico vaidosa de pensar que, pelo menos durante os minutos que demorou a escrever, selar e enviar, foi tudo para mim. o que é que querem? são fraquezas.

aqui longe, a carta é isto e muito mais. muito mais que não consigo escrever. porque são pedacinhos de pessoas que vêm ter comigo. pedacinhos do sol que se envergonha de brilhar por aqui que vêm agarrados ao papel. e o mar. e as ruas. e os cheiros. e tudo.

de repente parece que já voltei. durante um bocadinho fui até ao guincho. ou perdi-me em lisboa. ou estou a comer um gelado no santini. ou a ver um filme obscuro numa sala de cinema com sofás de veludo coçado que cheiram a mofo.

hoje cheguei à residência e entrou-me um raio de sol pelos olhos adentro. no envelope vinha isto:



22 maio 2006

festas da rã

o santo antónio anda louco com a programação das festas em tires - este ano lisboa que se ponha a pau! é que com quim barreiros, daniela mercury, lucas&mateus, o padre borga, uhf, alexandra e as bombokas, ninguém vai querer saber das marchas nem das tasquinhas à porta de casa em alfama...

ah! e ainda há a mostra de gastronomia e a feira de actividades económicas e a mostra de artesanato e sei-lá-eu-que-mais. é ver aqui.

no ano passado foi assim:

(devia ser paga por isto, tenho de falar com o presidente da junta)

eternal sunshine of the spotless mind


ontem vi este filme outra vez. lembrava-me que gostava, mas já não me lembrava do tanto. gosto tANtO!

20 maio 2006

touradas e festivais da canção

com estas histórias do festival eurovisão da canção e da reabertura da praça do campo pequeno lembrei-me de ary dos santos. em 1973, fernando tordo canta assim:

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições

e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.


acerca daquele que disse que "ser poeta é escolher as palavras que o povo merece" não escrevo mais nada por enquanto. fica só o poema. ode ou crítica?


19 maio 2006

festival eurovisão da canção 2006

ontem assisti à semi-final.* bem sentada no sofá da cozinha preparei-me para uma sessão de gargalhadas - secretamente ansiosa para assitir à prestação portuguesa. perdoem-me a ânsia, mas eu não fazia a mínima ideia de quem nos ia representar.

tenho de admitir que comecei a noite muito orgulhosa. sempre que a câmara varria a plateia conseguia vislumbrar uma bandeira portuguesa. desta vez não há cá espaço para críticas à falta de entusiasmo. e acho mesmo que a maior bandeira que se via acima das cabeças dos espectadores era a nossa. que é que querem? coisas de quem está longe.

a portuguesa era a décima nona. tive por isso tempo de sobra para gozar os outros concorrentes. assim mesmo bem-gozados. uns mais do que outros, evidentemente.

devia ter sido mais comedida. quando chegou a vez de portugal morri de vergonha... por pouco não escavei um buraco na espuma do sofá para me enfiar todinha lá dentro. que miséria de participação! uma canção que não vale um chavo, cantada por vozes tremeliques e sem nenhuma característica de jeito (o nervosismo não é desculpa para más interpretações, ali está toda a gente nervosa), tudo rematado por um guarda-roupa indescritível. quanto a mim a mais pobre actuação da noite. pelo que descobri as meninas ficaram ex aequo com outra moça no concurso em casa e o júri é que decidiu. que vontade de fazer um comentário maldoso!

da semi-final, coloco em lugar de honra a canção da lituânia. têm de ver e ouvir! vou ficar a torcer para que ganhem.





tenho pena que a islândia não tenha passado. a canção não é especialmente boa enquanto canção, nem a rapariga tem uma voz excepcional. mas vale pelo espectáculo montado em palco. e isso também devia contar, já que a qualidade das canções há muito que foi posta em segundo plano.

ah, sim! a suécia também passou, mas não gostei. que mania é esta de cantarem na língua-mãe no concurso nacional e em inglês no internacional? já a islandesa fez o mesmo.

os amigos finlandeses do meu próximo visitante também passaram - vão ser uma opção interessante, quero ver como se portam.

e pronto. o meu regresso ao festival eurovisão da canção não foi brilhante. mas no sábado vou ver a final :o) quero mesmo que a lituânia ganhe. será que a táctica deles resulta? hehe...


*assisti eu e assistiram os suecos todos - o país pára para ver isto.

em ciência não há lugar para a boa vontade

duas pessoas que calhou estarem a estudar a mesma coisa, mas em condições ligeiramente diferentes.

conversa:

- olha, para a semana vou cozer as minhas amostras. espero ver alguma coisa interessante, depois digo-te.

- ...

- vais cozer as tuas, aquelas em clorofórmio?

- pois... bom... agora não, não tenho tempo e tal. não me apetece, o tempo está nublado e tenho de ir dar banho ao cão.

- ?! siiiiiim, mas estás a pensar fazer isso ou não? - pensando que seria mesmo fixe saber se há grandes diferenças usando solventes diferentes.

- ó pá, eu não quero roubar-te o trabalho! faz lá tudo o que quiseres que eu vou continuar aquelas coisas secretas e super-importantes que ando a fazer sem dizer nada a ninguém.

- ãh?!

pelos vistos a partilha de conhecimento científico está verdadeiramente fora de moda. é triste.


(riam praí à vontade da minha ingenuidade, mas não é perda de tempo, dinheiro e energia estar toda a gente a estudar o mesmo em secretismo? não fui feita para isto)

18 maio 2006

(...)

a fingir que escrevi um texto brilhante, mas que quando olhei para ele para o afixar comecei a cortar frase aqui, palavra ali, acolá mais um parágrafo, acoli outro tanto assim.

só sobrou o espaço em branco. o resto não interessa para o perceber.

(...)

17 maio 2006

certinho direitinho

Who Should Paint You: Gustav Klimt

Sensual and gorgeous, you would inspire an enchanting portrait..
With just enough classic appeal to be hung in any museum!

ter-me calhado o klimt foi o melhor presente :o)

(estas coisas servem para acreditarmos nelas apenas quando batem certo e nos deixam um sorriso na cara, né? esta é uma dessas vezes)

16 maio 2006

o bocas


nas nossas vidas graças a wil raymakers, thijs wilms e a uns japoneses que lhe acharam piada (kazuo tabata e hiroshi sasagawa).


e aqui está a musiquinha :o)



welke os kan ons iets leren?
boes boes
boes boes

en een fietsband repareren?
boes boes
boes boes

rock en roll en ook nog de samba
danst hij met je mee

wie laat zich niet koeioneren?
boes boes
boes boes

boes boes
boes boes

!

espreitem aqui.

15 maio 2006

gafe (assim só com um "f", como aparece no houaiss)

acabei de reparar que aqui na coluna ao lado, onde diz "ontem e anteontem e antes de anteontem e mais longe ainda", também aparece o que afixei hoje.

pronto. fica aqui anotado.

mas não vou mudar. se acrescentasse o hoje dava cabo da estética da coisa. pode ser que ninguém dê conta ;o)

iiiiiiiiiiiiiiii haaaaaaaaaaaaaaaave the poooooooooooooower!

nada melhor para acordar bem-disposta do que um episódio do he-man às 7 da manhã :o) para além dos maus anúncios e da pornografia do big brother, a tv sueca também passa estas coisas. disto não me queixo.


ainda se lembram? 8 anos de idade e o sonho de crescer e ser igual à she-ra! nem era um mau sonho, tendo em conta que a mulher sabia dar uso à espada e tinha uma vida que incluía um pouquinho mais do que uma ida às compras no carro desportivo. a barbie não começou mal, tenho de admitir. afinal, foi a primeira boneca que inspirou nas meninas algo mais do que casar e ter muitos filhos para lhes dar o biberão e mudar a fralda, apresentando-se em mil áreas profissionais diferentes - barbie executiva, barbie médica, barbie atleta, barbie repórter, barbie raicoparta. mas degenerou um pouquinho nestes últimos tempos, não?

também passam os fabulosos transformers,


e os ursinhos carinhosos.


quando ligo a televisão na hora das crianças parece que andei atrás no tempo. ah, e os meninos (e as meninas que gostem, evidentemente) podem sempre jogar uma partidinha de subbuteo, que aqui ainda não perdeu o brilho.


para voltar aos dez anos só me faltam os thundercats.


não se pode ter tudo, né?

11 maio 2006

se fosses uma música do josé cid...

...qual serias?



"Na cabana
Junto à praia

Entre as dunas e os canaviais

Só o vento

E o mar

E as gaivotas

Falam desse amor"

e mais lálálá láláááááá!

Você é A Cabana
você é o típico melancólico, que gosta de pensar e repensar na vida. Romântico, adora cenários intimistas e pela-se pela doce amargura de um coração partido.

o josé cid anda a perseguir-me... se alguém estiver por alcobaça e quiser ouvir umas coisas deste senhor passe pelo clinic.


perguntam vocês, baixinho aos vossos botões, como é que ela sabe isto?!
pois.
é segredo.
hehe...

(estranho?)

10 maio 2006

os suecos são como as lagartixas

aparece um raiozito de sol e salta tudo para a rua. acho muito bem.

(a vermelho estão as pessoas. está quase toda a gente de fato-de-banho, e
muitas meninas a fazer topless - peço desculpa aos meninos, mas o
telemóvel não deixa mostrar os pormenores. limitações tecnológicas.)

na semana passada houve o primeiro churrasco em rosenborg. e amanhã há outro. eu vou!


(neste também estou, sim! não vêm ali o belo hambúrguer em pão-de-forma?)

aquelas fotos em que parece que só há relva foram tentativas frustradas de captar a verdadeira essência dum jogo tradicional sueco - não é hóquei no gelo, embora a má pontaria também seja capaz de fazer saltar um dente a alguém. chama-se kubb (carreguem ali atrás se quiserem saber mais).

08 maio 2006

extremos

isto de se acordar com um sorriso na cara pode ser muito enganador. o sol brilha, os pássaros alegram a espera do autocarro com um chilreio suave, e o sorriso vai permanecendo à medida que uma sensação de calma e de equilíbrio engana o corpo.

uma pessoa sente-se segura, né? acha que o dia vai correr bem, quando o começo é tão agradável que nem o facto de ainda ser de madrugada perturba.

de repente, pimba!, má disposição para cima.
mas porquê? e assim do nada, sem aviso, sem dar tempo para preparação.

é, o sorriso na cara quando se acorda engana muito.
que coisa chata.

03 maio 2006

jantar do dia do trabalhador


foi o melhor! não fiz nada. hehe...

bom, fiz o pão. e ficou espectacular! é claro que foi só juntar água e pôr no forno, mas isso diz-se assim muito baixinho...

jantou toda a gente à hora do lanche por minha causa! salsichas, puré de batata, salada, crepes com doce como sobremesa e o melhor pão do mundo a acompanhar!

(não vale rir. quem anda há mês e meio a comer pão de forma pode chamar o melhor pão do mundo ao bocado de côdea mais duro e acreditar. sim?!)

Valborgsmässoafton, 30 apr

na suécia o rei nasceu no dia de dizer adeus às bruxas. seria de esperar uma grande festa, não? na televisão passaram imagens dum sítio algures enfeitado com muito azul e amarelo e coroas e gente empinocada a passar frio. não liguei muito, mas penso que essa terá sido a grande festa do rei.

o resto dos suecos prefere beber. pelo menos em uppsala. contou-me quem lá esteve que nunca tinha visto nada assim. na suécia, claro. para quem costuma acabar as noitadas às três e meia nos dias em que tudo se prolonga para lá das discotecas, beber na rua (que até é ilegal) até que o sol raie é atingir o pico da loucura. é como na finlândia, não drei?

em karlstad foi calminho.
primeiro, ala até ao lago. a dois passos de rosenborg e a praia oficial do verão. passou um comboio de turistas cheio de homens de boné branco (chapéu oficial dos estudantes, ouvi alguém sussurrar) que saíram e se arrumaram muito bem dentro duma tenda. cantaram umas quantas canções engraçadas, mas entre cada uma passava-se meia-hora de olhar para a biqueira dos sapatos enquanto uma mulher falavafalavafalavafalavafalava - em sueco, pois claro.










a seguir o fogo de artifício. muitos uaus. deviam ir a cascais.
(agora é no estoril? uma pessoa quer mostrar-se conhecedora e zombar dos outros e depois faz estas figuras... aiai)
finalmente o grande momento: a fogueira!
estava tanto vento que era fumo por todo o lado. e os putos a brincar tão perto do fogo que se viesse uma rabanada de vento mais forte... estes suecos são doidos!









e pronto.
nem gente a cair de bêbeda, nem o sempre presente carrossel, nem o senhor das farturas, nem nada.
viste a fogueira? vi. eu também. então está visto. vamos para casa que está frio?

01 maio 2006

desencontros

só faz sol quando a preguiça aparece. nos dias em que a energia abunda chove. como hoje.

a minha irmã foi à praia.

a inveja é um sentimento muito feio, não concordam?

29 abril 2006

aos meus visitantes silenciosos

já não me escapam... hahaha hahaha haha ha! (riso maléfico e assustador)
agora arranjei uma daquelas cromices para contar quantas pessoas espreitam no blogue.

(o facto de as minhas visitas também contarem é capaz de viciar um bocadinho a estatística... se passar de 23 para 40 000 em pouquinho tempo, NÃO FUI EU. quem é que falou em carregadores compulsivos de botão de refresh?! é tudo mentira - e até acho que refresh não conta. hum... é pena. sempre dava outro ar à coisa: "ena! este blogue deve ser mesmo fixe. olha só o número de visitas! uau...")

27 abril 2006

oh...

mais uma a que eu não posso ir...

(sou só eu a achar ou aquela foto do circuit taste ficou muito feia mesmo?)

26 abril 2006

pechinchice sueca

hoje saí do gabinete a correr só para chegar à escada que dá para a rua e ver o meu autocarro a sair. chamei mil nomes ao aparelho de afm que não me dá os resultados que eu quero e ainda por cima me obriga a ficar à espera ao frio porque não se decide a desligar (esta segunda parte é mentira, mas eu tinha de conseguir deitar as culpas ao #%$@%& do aparelho) e fui andando com passos desanimados até à paragem. faltavam 11 minutos para o próximo autocarro. sim, não é muito. e, não, não estava assim tanto frio. mas é preciso apimentar um pouquinho a narrativa, não?

ainda olhei para o banco da paragem, mas depois decidi-me a entrar no edifício da associação de estudantes e dar uma vista de olhos nos postais da livraria.

dou uma voltita. vejo uns postais engraçados. olho para o preço (!). coloco-os de novo no expositor com uma festinha para lá ficarem quietinhos. dou outra voltita. deparo com uma mesa num canto cheia de livros com a bela palavra rea pespegada nas etiquetas do preço. é uma palavra sueca muito fixe. aproximo-me, assim de mansinho para não assustar, e reparo que os livros são todos em inglês! boa, estou lixada...

é óbvio que não resisto. vou pegando num. pegando noutro. hum... por enquanto nada de preocupante - para histórias de órfãos já me chegou o oliver twist e o david copperfield e o rémi e credo-que-nunca-mais-acabam, e o romance da vizinhadoamigodopadeirocomofilhobastardododonodafábricadecaixasdeplástico também não me interessa. sou uma insensível.

mas eis que da pilha sai um raio de luz e... puf!

pego nele. viro-o. aprecio a capa. o peso das folhas. leio a contracapa. abro umas folhas ao acaso. leio um bocadinho. penso que não preciso de nenhum livro. viro mais umas folhas. leio mais um bocadinho. olho para o preço. leio. olho para o preço. leio. olho para o preço. leio. fecho o livro.

inspecciono pormenorizadamente as mossas e os riscos. olho para a menina da caixa. respiro fundo e começo a andar em direcção ao balcão.

pronto, já está. desgracei-me num segundo.

entrego o livro. a menina regista-o. dou-lhe o dinheiro. e ela dá-me 30 000 moedas de troco. tanto?! ahahahaha, tive 50% de desconto sobre o preço de saldo! rio-me que nem uma perdida, digo-lhe que aquela foi uma boa surpresa e saio da livraria com um sorriso de orelha a orelha e a tempo de apanhar o 54 para o centro.

contas feitas, paguei dois euros pelo livro. e não é que o livro é engraçado?

se quiserem saber de que maneira é engraçado, carreguem aqui. boa exploração!

25 abril 2006

era uma vez um cravo*


* título roubado a josé jorge letria (lisboa, câmara municipal de lisboa, 1999)
o 25 de abril para crianças pequenas. como eu :o)

23 abril 2006

karlstad by nite*

primeiro há a pré-festa.

(esta é a minha cozinha!)

o grito de guerra nas pré-festas é: BEBE!
qualquer coisa serve, até cidra de cacto, desde que seja barata e ajude a aguentar as horas que se seguem de desértica agonia - comprar qualquer coisa na discoteca é impensável e a música, garanto!, deveria estar listada nas 50 mais eficazes torturas de sempre!


depois vai-se a penantes até à festa, que o tempo já dá para isso e os autocarros são poucos e tendem a despachar-se durante a noite e a chegar antes da hora (grrrrrrrrrr........).



a seguir vem a festa. de preferência antes das dez (22h?! sim... mas atenção: fecha tudo às 2 da madrugada), para não se pagar entrada - embora da taxa de bengaleiro ninguém se safe. chulos.


. à quinta-feira: arena


e antes das dez a cerveja é ao preço da chuva - da chuva portuguesa, entenda-se, aquela que não abunda. 20 coroas! que dá uns dois euros e qualquer coisa.



. à sexta-feira: nada. não sei porquê, sexta não é dia de sair por estes lados. pelo menos aqui por rosenborg.


. ao sábado: nöjesfabriken


onde os fumantes até têm direito a uma sala todinha só para eles!



independentemente do sítio, as caras são as mesmas e a música também - o que não é nem de longe uma vantagem. na terra dos hives e dos cardigans, a música nos clubs é pior que na megafm (e em arena até temos direito a intervenções assustadores do dj de serviço. é caso para dizer: credo!). pelo menos em karlstad é assim... (suspiro)

de qualquer forma, uma pessoa esforça-se e faz o máximo por aproveitar. tem de ser, né? :o)


depois da festa ainda há a pós-festa. mas eu nunca fui. é mesmo verdade, estou velha.


(já me disseram que há por aí uns sítios mais fixes, concertos em apartamentos e festas com música que não inclui balancear de ancas e refrões em espanhol, mas para isso é preciso conhecer os suecos certos - e isto de conhecer os suecos é uma coisa muito complicada!)


* esta nite começa por volta das 19h, e até às 21h é mais lusco-fusco do que outra coisa (afinal eles tinham razão!). pelo que percebi, daqui a uns tempos estes cinco/sete minutos, que já duram agora umas duas horas, vão transformar-se na noite inteira! os moços até talvez tivessem razão... o lusco-fusco pode vir a ser a next big thing na suécia!