25 janeiro 2007
notícias dos outros
23 janeiro 2007
22 janeiro 2007
21 janeiro 2007
as religiões dos filhos de abraão, na culturgest
"Que sabemos nós, crentes ou não, da religião dos outros? (...) E não é verdade que, por desconhecermos a fé do outro, naquilo que ela tem de explicável, nos parece que a vida dele assenta em práticas e crenças injustificáveis no mundo actual? Como se a fé dos outros fosse qualquer coisa de primitivo, ou mesmo perigoso. Desconhecer aquilo que é um elemento fundamental da vida das pessoas, é não as compreender, é permitir que se instale em nós o preconceito e a intolerância. (...) Talvez, sabendo, nós possamos compreender melhor."29 de Janeiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Judeus e Judaísmo por Samuel Levy
5 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Reforma Protestante: uma história do passado ou uma opção actual? por Silas Oliveira
12 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Testemunhar Deus com os Seis Sentidos: Islão e muçulmanos para além dos textos e dos exotismos por AbdoolKarim Vakil
26 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Caminhos da Ortodoxia por Ivan Moody
5 de Março, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
O catolicismo como radical elogio da Beleza por José Tolentino de Mendonça
20 janeiro 2007
o sorriso
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(fez ontem anos que nasceu)
19 janeiro 2007
18 janeiro 2007
enganos
quem me manda confiar?
16 janeiro 2007
à menina de brasília
quero dizer-te que a alegria há-de voltar um dia. e que esse nó que sentes a toda a hora e quase te faz desmaiar a cada passo que dás há-de desfazer-se.
mas não com essa lâmina que procuras.
existem outras alternativas, embora neste momento não aches isso. por favor, respira. olha à tua volta. vê as pessoas que te amam - elas existem, mesmo que longe, mesmo que escondidas. sei que as encontrarás. e com elas descobrirás uma solução que não passa pelo esventrar do teu corpo, esse esventrar que a raiva e a urgência te apresentam como única solução. não te magoes mais. não mereces essa dor.
pede ajuda.
eu sei que custa.
mas pede ajuda.
há uma mão algures a tentar encontrar-te. na cozinha de tua casa, ao fundo da rua, no hospital da esquina, aqui.
uma mão que agarrará a tua, mesmo que no fim seja para terminares essa vida que começa agora, timidamente, dentro de ti. mas sempre num sítio onde gente competente te porá a mão na testa e te tranquilizará. e no fim vais poder sorrir de novo.
por favor, pede ajuda.
por favor, não te mutiles.
por favor, lê isto.
caem-me lágrimas às catadupas
hoje, às seis da tarde, alguém chegou ao meu blogue pesquisando no google por: "como se faz aborto com laminas".tremo ao pensar que esse alguém encontrou uma resposta que considerou razoável. tremo ao pensar que não encontrou nenhuma e que resolveu experimentar na mesma.
onde estás?
quantas meninas estarão agora a sangrar por aí?
xadrez

Viram-te jogar o xadrez com o dragão.
Viram-te... não me interessa. Viram-te e estavas a jogar o xadrez com o dragão.
Mãe, de certeza não era eu.
Estavas. Eras tu. Viram-te numa das janelas da Sociedade e estavas a jogar o xadrez com o dragão.
Isso é mentira, mãe. Palavra que é mentira.
Porque é que teimas? Se te viram...
Viram, nada. Não podiam ter visto.
Não podiam, mas viram. Viram-te a jogar o xadrez com o dragão.
Eu não era, mãe. Não quero saber. Eu não era.
Eras, sim. Eras e vieram-me dizer: olhe, estava a jogar com o dragão. A jogar o xadrez.
Não estava, palavra que não estava. Acredita, mãe, que não estava.
Está bem, acredito. Acredito que não estavas, mas viram-te.
Assim não, mãe. Não estava nem me viram. Não me podiam ter visto.
Pois não te podiam ver, mas viram. Aí é que está. Viram-te numa das janelas da Sociedade a jogar o xadrez com o dragão.
Ó mãe, é mentira. Já disse que é mentira. Eu não estive na Sociedade.
Nem estiveste a jogar o xadrez com o dragão?
Pois claro que não estive. Não estive na Sociedade nem estive a jogar o xadrez com o dragão. É tudo mentira, mãe.
Mentira, só se for a tua, porque se te viram na Sociedade a jogar o xadrez com o dragão e me vieram dizer é porque estavas.
Mãe, não estava. Não estava. Não estava. Sério que não estava.
O choro. O pressentimento do choro, a corrente interna do choro e o curto-circuito que o interrompe a tempo:
Pronto, não estavas. Se insistes que não estavas é porque não estavas. Viram-te mas foi invenção. Inventaram que te viram foi o que foi. Não se fala mais nisso.
Foi invenção, mãe. Inventaram, mãe. Eu não estava, não estava, palavra, mãe. Não estava.
Mesmo assim, rolando, rolando lá de dentro eis que se despenha em avalanche o choro.
Para ir ter à sala do fundo, a dos livros, dos jornais e das pequenas mesas, tem de se passar primeiro por pé do balcão da secretaria, onde nunca está ninguém, e, depois, pela sala dos bilhares adormecidos. Alinhados, junto à parede, os tacos a prumo, simulam frágil guarda de honra. Há, ainda, um corredor sombrio e, a proteger o recato da biblioteca e dos jogos silenciosos, uma cortina verde e antiga. Afastada a cortina, entra-se numa sala de leitura.
Vamos a uma partida?
Vamos.
A pequena mesa estremece e o jogo principia.
Caem as pedras uma a uma. É um cataclismo planeado. As torres em ruína, os cavalos num frémito de morte, a rainha por terra, o rei que renuncia.
Xeque-mate.
Previsto.
Então a penumbra da sala, guardada pelos estores descidos, estala num clamor de luz. Do outro lado da mesa, ele levanta-se, refulgente, as escamas eriçadas, arqueando o dorso, corpo em chamas com asas de vitória. Deslumbrando.
Canta uma sirene sereia no seu peito:
Ganho-te sempre.
Sempre, ecoa, prostrada, a frágil voz criança.










