11 fevereiro 2007

uau!



sim: 59,25%

não: 40,75%


43,61% de votantes



(estou tão contente!)

07 fevereiro 2007

e agora coisas sérias

estão ver a data que aparece ali em cima? mesmo antes do título? 7 de fevereiro, né? e já quase no fim do dia. o que quer dizer que daqui a nada - 3 dias de nada - abrem as urnas. e eu não vou poder ir.

sempre fui uma indecisa. nunca soube muito bem em que votar, ter de decidir é uma chatice, ai que eu nem conheço bem nenhum dos marmanjos que andam praqui com promessas, e se me enganam?*

em relação à questão da despenalização do aborto nunca tive dúvidas. e nunca pude ir votar.

o primeiro referendo foi no dia dos meus dezoito anos e, embora me tivesse já recenseado, ainda não podia ir (trapalhadas burocráticas e mais sei lá o quê). arranjei solução: negociei o voto com o meu pai (isto não se pode dizer, pois não?). ele não queria ir porque dizia que a escolha era da mulher e que ele não tinha nada a dizer nesse assunto. semanas de discussão infrutíferas resultaram num então vais por mim. faço dezoito anos, sou mulher, quero votar sim e não posso. e ele foi.

desta vez não posso ir porque estou longe e não tenho direito a voto antecipado, nem a votação por carta, nem a ir votar à embaixada ou ao consulado - é só um referendo, não há cá dessas mariquices, aparentemente. (algum abstencionista por aí que queira fazer o jeito?)

já li e vi muita coisa acerca disto. maravilhas da nova era da comunicação. muita parvoíce do lado do não e do lado do sim. o que é natural. esta questão inflama-nos. a mim inflama muito. sempre que tento escrever alguma coisa acerca disto irrito-me. tremem-me as mãos. começo a hiperventilar. não consigo perceber o outro lado. saem-me gritos desproporcionados pelos dedos e tenho vontade de insultar todos quantos andam praí a dizer disparates (barbaridades!), a enfiar panfletos nas malas de crianças inocentes, a servir-se da figura bem-falante para confundirbaralharoqueéqueeledissemesmo, a propôr mudanças de lei ou penitências públicas ou raicoparta. sim, é tudo do lado do não. não sou imparcial nem pretendo ser - não me vou pôr agora aqui a apontar fraquezas do sim, tá?

por partes:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (...)?"

concordo. a chave aqui é a palavra despenalização. não está lá escrito liberalização, embora haja quem jure a pés juntos que é isso que lá está. mas não é. remeto para o (grande) conhecedor de termos jurídicos aqui. mas há por aí alguém (deve haver, mas aposto que são poucos e que precisam de alguma ajuda psiquiátrica) que ache que uma mulher que aborte tem de ir presa? clamam aos quatro ventos que nenhuma mulher é condenada (o que é mentira). e que a lei deve continuar na mesma, mas sem se condenar nenhuma mulher. esta gente está parva? está bem que isto de cumprir leis é um bocadinho subjectivo em portugal (vejam-se os limites de velocidade e quantos consideram velocidade de cruzeiro um valor que já é considerado crime), mas caberá na cabeça de alguém ter uma lei que diz explicitamente que a mulher grávida que der o seu consentimento ou que pratique um aborto e que a pessoa que a fizer abortar são punidos com pena de prisão até 3 anos e depois, em letra miudinha entre parênteses, escrever: ah, mas isto é assim meio a brincar, está bem? é só para assustar?! e não me venham com conversas anormais dizendo que o aborto vai aumentar se for despenalizado. uma coisa garanto: o aborto legal aumenta de certeza. mas ninguém aborta por gosto.

"(...) se realizada, por opção da mulher (...)"

havia de ser por opção de quem? vamos lá ver as várias hipóteses para um casal, já que anda toda a gente muita aflita com o coitadinho do homem que não tem voz no assunto.

. ambos querem um filho: perfeito. acabou a discussão;

. nenhum quer um filho: quase perfeito. se têm dinheiro vão a espanha. se não têm dinheiro estão lixados. ou arranjam algum e através de alguém que conhece alguém que ouviu falar de qualquer coisa, acabam nalgum sítio escondido a fazer figas para que a mulher saia de lá inteira e a respirar; ou acabam na internet à procura de cházinhos abortivos e maneiras de fazer abortos com lâminas como a brasileira que veio aqui parar há uns tempos; ou a desgraçada da criança acaba por nascer e, com sorte, alguma instituição se ocupa dela - ou os pais ganham o euromilhões -, com azar, acaba no congelador junto ao peru de natal (isto aconteceu onde eu moro);

. a mãe quer o filho, mas o pai não: idealmente ela mandava o homem dar uma curva e tinha a criança sozinha. como não vivemos num mundo ideal, às vezes acaba por abortar na mesma;

. a mãe não quer o filho, mas o pai quer: pronto. aqui é que está o problema. como é que nos desembrulhamos desta? metade da informação genética no feto é pertença do senhor, não? talvez... ainda demora um tempinho até que se possam fazer testes de paternidade. dela é de certeza. e se a vontade dele prevalecesse e no fim ele descobrisse que o puto era do carteiro e cagasse no assunto? era giro. e, admitindo mais uma vez que ele pode decidir, a mulher fica a ser o quê? incubadora? olha, agora aguenta. durante nove meses a alimentar e carregar um ser em crescimento dentro dela, sem o querer? e a criança? um estudo qualquer - não tenho a referência, têm de acreditar em mim - apontava para uma relação entre a saúde da criança e a vontade da mãe que a carrega de a ter. é aquela coisa do amor, parece-me. costuma ser importante quando se cria um filho.

meus queridos, por muito que doa, só as mulheres conseguem fazer crescer um ovo, mesmo que o espermatozóide tenha tido um papel importante na coisa. não dá para dar a volta a isto.

também há por aí quem ache que isso dá um poder desmesurado às mulheres (que, coitadas, são fracas, não aguentam) e que por isso precisam de alguém que as ajude a pensar. tipo comissão autorizadora de abortos, acho. incrivelmente, eu até concordo em parte. vejam mais abaixo na última parte da pergunta.

"(...) nas primeiras dez semanas (...)"

este é um período como outro qualquer. bom, como outro qualquer não. decidiu-se que era o tempo suficiente para a mulher se aperceber da gravidez, reflectir sobre o assunto e, no caso de assim o decidir, interromper a gravidez em segurança. em muitos países o período é de doze semanas, mesmo mais noutros sítios. definiu-se assim. concordo que assim seja. concordaria com um prazo mais alargado, mas decidiu-se este. a objecção de o aborto às dez semanas e um dia continuar a ser penalizado é acéfala. parece réplica de escola primária a acabar com uma língua de fora. e nem vou dizer mais nada sobre isto.

"(...) em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

esta parte é muito importante. numa manobra que nem sei classificar, o senhor marques mendes andava a querer mudar a lei depois do referendo, se o não ganhar. como é que é? ah e tal, sou contra agora, mas depois de 11 de fevereiro despenalizamos. ãh? o problema parece que é esta parte do estabelecimento de saúde legalmente autorizado. não percebo. querem o quê? despenaliza-se, mas quem precise de fazer um aborto continua a ter de ir a espanha ou ao vão de escada mais próximo?

o facto de se poder proceder à interrupção da gravidez num estabelecimento de saúde legalmente autorizado tem várias vantagens. entre as mais importantes, terá condições médicas (dignas e seguras) e permitirá um acompanhamento das mulheres que a ele recorrem - acompanhamento médico e planeamento familiar (olha aqui a parte da comissão autorizadora de abortos. nem a estavam a ver, hein?). esta intervenção junto das grávidas tem, quanto a mim, dois aspectos muito importantes: será possível apresentar opções à mulher que ela, num momento de desespero, poderia nem ter considerado; e permite ensinar. o senhor júlio machado vaz concorda comigo.

isto leva a que morram menos, se estropiem menos com cabides enfiados vagina acima, engravidem menos sem quererem, e abortem menos. só se ganha, não?


a resposta é sim!

(isto está um bocado grande. e não disse tudo.)

mais ligações:

a lei em vigor

o aborto em portugal - estudo da apf


*sempre lá fui. acho uma grande falta de respeito por todos quantos morreram e sofreram a lutar para que toda a gente tenha direito ao voto, sem discriminação de sexo, raça ou credo, não ir. existem outras opções fora dos quadradinhos sem ser a abstenção. assim de repente, sem sequer pensar muito, lembro-me do voto em branco e do voto nulo. e há sempre castanhas ou farturas à porta, por isso pode ser passeio.

respirar fundo

06 fevereiro 2007

pausa para publicidade


e vai ser uma festa tão fixe!

o meu mano diz que sim.

04 fevereiro 2007

quando as mulheres decidem abandonar o estado de gravidez

"(...) na barriga da mulher grávida não está nenhuma criança. Ela está na tua cabeça. Ou na cabeça da mãe. Se está na cabeça da mãe, ela está na barriga, existe mesmo de verdade, merece todo o amor e protecção. Mas se só está na tua cabeça, e não na dela, não está na barriga da mãe. É verdade, o que temos na nossa cabeça existe mesmo, é real. Mas não tens o direito de plantar as criaturas da tua cabeça na barriga duma mulher sem o seu consentimento."


hoje são só roubos.
título daqui e excerto daqui.

mais acerca do referendo

"O referendo não trata de Ciência, de Filosofia, de Ética ou de Moral — isso não são matérias referendáveis. O Referendo trata da Lei. Obviamente, cada eleitor está no seu direito de decidir o seu voto com base no que quiser (Ciência, pseudo-ciência, Filosofia, Ética, Moral, Fé...) — mas o Referendo trata de leis. É exactamente por tratar da Lei e não da Ciência ou da Moral que o Referendo não pretende «definir vida humana».

É um engano pensar que, se a Lei não punir o aborto até às 10 semanas, então a Lei está (implicitamente) a dizer que o feto até às 10 semanas «não é humano». A Lei não diz (não dirá) que é nem que não é: o que a lei dirá é que até às 10 semanas a Lei não protegerá o feto das decisões da mulher grávida (ou seja, se ela decidir abortá-lo não será legalmente punível).

(...) seja qual for o nosso sentido de voto, não estamos a definir princípios de vidas, não estamos a decidir o que é um ser humano e o que não é. Estamos a decidir se um acto é ou não um crime, se a mulher que decidiu praticar esse acto é ou não criminosa — e se, por isso, deve a Lei puni-la ou não."


roubado descaradamente daqui. carregar no excerto acima para ver o texto completo.
a imagem veio daqui.

02 fevereiro 2007

silêncios

isto anda um bocado pobre em palavras, né? retrato fiel do que se passa por cá. pobreza de palavras.

músicas

já não chego a tempo de nada. e entretanto descobri estes moços que vão fazer a primeira parte de nine inch nails. que fixes que eles são!



mais aqui.

01 fevereiro 2007

não resisto

ando a tentar controlar-me, mas não resisto.



"(...) se a pergunta fosse «concorda com a despenalização da mulher que aborta num sítio todo badalhoco sem condições nenhumas eu votava que SIM."

não há pachorra para as alarvidades que se dizem por aí. ia pôr uma ligação para a versão original, mas não tenho estômago. é demasiada estupidez junta. quem quiser que procure.

29 janeiro 2007

neve


do Lat. nive


s. f.,

precipitação formada pela condensação do vapor de água atmosférico a temperaturas abaixo dos 0º C, em que as minúsculas partículas de gelo resultantes se juntam em cristais maiores, agregando-se em flocos de neve;
extrema alvura;
gelado, sorvete;

fig.,

cãs.

27 janeiro 2007

cinco minutos de lua

dia 1 de fevereiro, que tal apagarem a luz durante cinco minutos? tão pouquinho, né?

a iniciativa é francesa, mas não custa nada participar.

dia 1 de fevereiro
entre as 19h55 e as 20h (18h55 e 19h em portugal)
apaga a luz!

25 janeiro 2007

notícias dos outros

ai, que inveja!

sabem o que é que este senhor aqui de cima andou a fazer? sabem? espreitem aqui. vão ficar cheios de inveja como eu. ahaha!

notícias minhas

notícias minhas não há. nem me apetece contar.

23 janeiro 2007

para saber o que se passa por aí

para subscrever carregar aqui. para saber
o que se passa esta semana carregar
em cima.

22 janeiro 2007

um presente



para ti.

(presente-extra aqui)

21 janeiro 2007

na cova dos lobos: não-crenças, descrenças e coisas que tais



as religiões dos filhos de abraão, na culturgest

"Que sabemos nós, crentes ou não, da religião dos outros? (...) E não é verdade que, por desconhecermos a fé do outro, naquilo que ela tem de explicável, nos parece que a vida dele assenta em práticas e crenças injustificáveis no mundo actual? Como se a fé dos outros fosse qualquer coisa de primitivo, ou mesmo perigoso. Desconhecer aquilo que é um elemento fundamental da vida das pessoas, é não as compreender, é permitir que se instale em nós o preconceito e a intolerância. (...) Talvez, sabendo, nós possamos compreender melhor."


29 de Janeiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Judeus e Judaísmo por Samuel Levy

Samuel Levy, economista e gestor, foi dirigente de várias instituições da Comunidade Israelita de Lisboa, tendo sido Presidente da Direcção desta instituição.

5 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Reforma Protestante: uma história do passado ou uma opção actual? por Silas Oliveira

Silas Oliveira é filho de um pastor da Igreja Baptista. Licenciado em Filologia Românica, jornalista de profissão, participou muitas vezes, como membro da delegação protestante portuguesa, em encontros ecuménicos internacionais. Vive a sua fé na Igreja Presbiteriana de Lisboa.

12 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Testemunhar Deus com os Seis Sentidos: Islão e muçulmanos para além dos textos e dos exotismos por AbdoolKarim Vakil

AbdoolKarim Vakil é professor de História Portuguesa Contemporânea no departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros do King’s College de Londres. Coordenador dos Simpósios do Instituto Muçulmano de Londres, modera um cibergrupo de debate de académicos e activistas muçulmanos em Inglaterra e colabora no jornal Muslim News.

26 de Fevereiro, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
Caminhos da Ortodoxia por Ivan Moody

Ivan Moody estudou Música e Teologia nas Universidades de Londres, Joensen e York. Ocupa um lugar de destaque no estudo da música do mundo ortodoxo, sendo actualmente Presidente da Sociedade Internacional de Música Ortodoxa.

5 de Março, 18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita
O catolicismo como radical elogio da Beleza por José Tolentino de Mendonça

José Tolentino de Mendonça, presbítero da Igreja Católica, poeta e tradutor, doutorou-se em Teologia Bíblica. Professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Director da Revista Didascália é membro do Centro de Investigação Religiões e Culturas.

20 janeiro 2007

o sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


eugénio de andrade
(fez ontem anos que nasceu)