16 novembro 2007

sempre gostava que me dissessem donde vem a mania de que os portugueses é que são preguiçosos e parvos e fazem tudo ao contrário

andava eu muito entretida a arrumar frasquinhos de especiarias, quando tive a brilhante ideia de tentar abri-los para agoranãointeressaoquê. como aquilo estava a ser difícil, fiz o que qualquer pessoa em plena crise de loucura faria: fui buscar uma faca. alguém adivinha o desfecho? pois.

alguns esguichos de sangue depois, estava eu deitadinha no sofá com uma tira de lenço de assoar apertada à volta do dedo este natal não me importo se me oferecerem mais alguns destes - dei cabo do meu favorito a respirar compassadamente para ver se o zumbido nos ouvidos passava.

como o apartamento está todo de pantanas falarei do apartamento de pantanas noutro dia foi impossível encontrar pensos rápidos e desinfectante e tal. aliás, desinfectante não iria encontrar por lá de qualquer maneira. depois de me convencer que metade do dedo não me iria cair, fui dormir.

de manhã lá encontrei um penso rápido algures, mas claro que quando desenrolei o lenço aquilo começou logo a esguichar sangue de novo. vá de cortar mais uma tira ao pano e enrolar à volta do dedo depois do penso - era preciso juntar aqueles dois bocados de carne zangada.

lembrei-me então que havia uma farmácia por ali perto, e pensei em passar por lá antes de ir para a faculdade. dez minutos depois dum passeio suicida pelas estradas e passeios gelados de karlstad tenho de começar a pensar em arranjar umas daquelas tiras com espigões que os velhotes usam cá à volta dos pés lá cheguei à apotek*. adivinhem lá a que horas abre. às 9h30! e é das que abre mais cedo. e claro que às 18h fecham todas. parece que os suecos não adoecem depois do horário de expediente, nem ao fim-de-semana. será que também é assim com os hospitais? (aqui em karlstad há duas que fecham às 20h aos dias de semana, o mais tarde que se encontra alguma aberta. e há outras duas que também estão abertas durante o fim-de-semana, mas só até às 16h. por mais incrível que pareça, nenhuma dessas é a do hospital! não há farmácias de serviço para emergências)

bom, claro que não esperei - o que fez com que andasse a correr duma rua para a outra a perder autocarros. quando cheguei à faculdade, contaram-me da farmácia nas traseiras e fui até lá. depois de chorar as minhas mágoas à farmacêutica e de lhe deixar couro e cabelo por um frasquinho de seiláoquê, fui corrida até ao centro de enfermagem: ai, não me mostre isso, que horror! não, não, tem de mostrar à enfermeira. olhe lá se lhe cai o dedo aqui no meio da farmácia, que nojo!

é claro que a enfermeira olhou de soslaio para o meu arranhão, desinfectou aquilo, pôs um penso (penso e desinfectante que eu tinha comprado na farmácia e que ela me informou gentilmente serem praí 45 níveis acima do que eu precisava - em qualidade e em preço) e deve estar agora em mais uma das intermináveis pausas para café suecas a contar aos colegas que atendeu uma portuguesa aos guinchinhos por causa dum arranhãozito de nada.

quando comecei a escrever isto, tinha uma conclusão brilhante que fazia a ligação com o título. já não me lembro. deve ser do sangue todo que perdi na outra noite.


*isto da apotek é lindo. podem esquecer a livre concorrência por estes lados, pertence tudo ao mesmo. não há cá a farmácia do doutor jaquim ou da família raicoparta. para além de terem todas mais aspecto de perfumaria do que de farmácia...

15 novembro 2007

da vida secreta dos bonecos








«Here is my take on the Snow White Tale: Why any man in his right mind, upon finding a coffin with a miraculously well preserved corpse of a beautiful female inside, in a dark wooded area, would be so enchanted by it that he just has to kiss it? It’s rather disturbing if you think about it. There is only one logical explanation to this situation.

He is a Necrophiliac.

There are strong elements of violence present in the vast majority of original fairy tales. It intrigues me to look at a fairy tale from a different perspective and create a visual narrative interpreting the romanticized fable with the emphasis on its dark undertones.»


13 novembro 2007

há constantes que se multiplicam no coração tornando maiores os instantes que fazem a neve rodopiar do lado de fora das janelas. há constantes que dançam nos olhos dos amantes em dias de sorrisos. há constantes tímidas que nos vão mudando a vida aos poucos e de que ninguém se apercebe até a vida estar mudada e pronto. há constantes que vibram baixinho, mas cujo zumbido ensurdece o pensamento. há constantes que são números.

o período dum pêndulo é aproximadamente igual à raiz quadrada do seu comprimento multiplicada por uma constante. porque é que alguém acha isto estranho?

09 novembro 2007

snöblandat regn


nevemisturada (com) chuva, do lado de fora da minha janela.

05 novembro 2007

paredes

pinto tão bem com a mão esquerda quanto com a mão direita.

31 outubro 2007

momento divulgação cultural

feira laica no porto

é carregar aí nessas coisas em cima para saber mais.

lumière & cie




«lumière and company (1995 original title "lumière et cie") was a collaboration between 41 international film directors in which each made a short film using the original cinématographe camera invented by the lumière brothers. shorts were edited in-camera and abided by three rules: a short may be no longer than 52 seconds. no synchronized sound. no more than three takes.»
mais aqui

isto andou a saltar de blogue em blogue.
é culpa do painel do blogger visto com olhos embebidos em sono.

25 outubro 2007

poema pial

Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.

Pia número UM
Para quem mexe as orelhas em jejum.

Pia número DOIS,
Para quem bebe bifes de bois.

Pia número TRÊS,
Para quem espirra só meia vez.

Pia número QUATRO,
Para quem manda as ventas ao teatro.

Pia número CINCO,
Para quem come a chave do trinco.

Pia número SEIS,
Para quem se penteia com bolos-reis

Pia número SETE,
Para quem canta até que o telhado se derrete.

Pia número OITO,
Para quem parte nozes quando é afoito.

Pia número NOVE,
Para quem se parece com uma couve.

Pia número DEZ,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.

E, como as mãos já não estão frias,
Tampa nas pias!

fernando pessoa

19 outubro 2007

bloguecoisa

sempre que escrevo alguma coisa gasto milhares de papéis e canetas e lápis e borrachas. escrevo e risco. escrevo e apago. escrevo e volto a riscar e a apagar e a escrever. no limite desisto de alterar, mais por cansaço de riscar/apagar/escrever do que por me sentir satisfeita.

por aqui acaba por ser igual, mesmo sem papelcanetalápisborracha. escrevo e publico e edito. publico e apago. escrevo e publico e edito e apago e escrevo outra vez até que, por fim, chega o cansaço e páro. fica como estiver. publicado ou não. uma luta contínua entre a vontade de dizer e a vontade de dizer bem cujos destroços me enchem o painel de mensagens.

lembrei-me agora dessa gente que usa rss feeds e coisas que tais como eu. será que as mil versões dum texto aparecem por lá? ou só a primeira? ou só a última? ou uma qualquer que desgraçadamente foi apanhada desprevenida num instante milagre deste mundo bloguecoiso?

divirto-me a pensar na fiada de mensagens iguais, com uma vírgula a mais ou a menos, frase chegada à direita ou chegada à esquerda, palavra no início ou no fim, sentido completo/incompleto/absurdo/destruído, desenrolando-se insistentemente numa qualquer lista de mensagens. tenho vontade de adicionar o meu url a uma destas coisas só para ver como fica...

mas é tão melhor imaginar.

escaganifobético

já há muito tempo que não encontrava esta palavra. duvidei que pertencesse ao mundo fora do universo fantástico de ser criança. pensei que tivesse desaparecido com os dragões azuis e as escadas em espiral, intermináveis, à volta da árvore nas traseiras da escola primária. faz-me sentir pequena novamente.

16 outubro 2007

compras importantes que fiz hoje

alla vi barn i bullerbyn, de astrid lindgren - a senhora da pipi das meias altas.
alguém conhece o emil?


kejsarn av portugallien, de selma lagerlöf - a senhora d'a maravilhosa viagem de nils holgersson através da suécia (beijinho para a menina drei), e a primeira mulher a receber o prémio nobel da literatura.
que se desenganem os que estão já praí a pensar que este livro tem alguma coisa a ver com portugal. não tem, embora os nossos irmãos do outro lado do oceano atlântico o tenham traduzido como o imperador de portugal. portugallien é "a fairytale land (...) where dreams come true". os brasileiros lá sabem.

logo vos digo como é que isto corre.

14 outubro 2007

se eu fosse uma cidade europeia seria lisboa

You Belong in Amsterdam

A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.
Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).


já não me lembro onde encontrei isto.
estes testes são um bocado parvos, não são?
fazem duas perguntas e meia (cada uma mais estúpida que a anterior) e
arranjam num instante uma etiqueta para se colar na testa.

12 outubro 2007

«a igreja é extremamente rigorosa quando se trata de milagres»

a propósito disto (em que a claudjinha e o pp também já repararam):


(george carlin)

«caso os clínicos concluam que a cura ocorreu por motivos naturais, será "preciso rezar aos pastorinhos para que façam um milagre mais claro"»


milagre:
do Lat. miraculu

s. m.,
evento sobrenatural, cuja origem não se pode explicar;

aquilo que é sobrenatural;

intervenção sobrenatural;

acontecimento que assombra;

sucesso extraordinário;

prodígio, maravilha.

11 outubro 2007

abri as caixas de comentários ao mundo

se me arrepender fecho-as novamente. é aquela tal história de isto ser tudo livre somente enquanto me apetecer.

este mundo bloguecoiso está povoado de ditadorezinhos, não é?

puta que o pariu!*

então depois deste esforço hercúleo desaparecem-me aqui do lado as imagens lindas dos livros maravilhosos que estou a ler ?! que caraças...
parece-me que sei o que aconteceu.
parece-me até que a culpa foi minha.
parece-me que vou continuar a culpar o blogger.
tem muito mais piada assim.

*não desfazendo das putas; a expressão serve
apenas como insulto ao rebento.
e sentir-me assim, sem jeito. à espera de um qualquer nem-sei-o-quê que me desperte e justifique este outro-nem-sei-o-quê que me faz sentir assim, sem jeito.

lá fora chove.
cá dentro lhasa enche o mundo.

eu quero que o doclisboa dure muitos anos



é para ver se eu ainda apanho uma ediçãozinha...

ai.

05 outubro 2007

afinal...

... acontecem algumas coisas por aqui.


os suecos não ficam até ao fim do filme. acendem-se as luzes assim que aparecem os créditos finais. é uma chatice, sabem? eu não leio os créditos finais (excepto se for para descobrir o nome daquele actor tããããããão lindo, que isto há coisas que não se controlam...), mas fico até ao fim. puro egoísmo. gosto daqueles últimos minutos para respirar fundo e reentrar devagarinho no mundo a sério. esfumam-se as imagens do grande ecrã, abandonando-me os olhos pouco a pouco. tento perceber uma ou outra cena que, na altura, provocando ou não uma grande emoção, me ficou a boiar cá dentro à espera dum instante em que a ela pudesse voltar - no cinema não há botão de pausa, e ainda bem. coisas.

os suecos não.

aquilo começou assim: a sala cheia (num espanto de gente barulhenta e contente); um moço do clube de cinema a falar durante 10 minutos em sueco (não me perguntem o que ele disse, três aulas de sueco ainda não dão para isso; mas houve muitos braços no ar à vez, a lembrar a escolinha primária quem quer pintar com lápis de cera? eeeeeeeeeeeeeeeu! e as canetas de feltro vão para quem? pra miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm!); assim que ele se senta (sem dizer adeus, acho incrível os suecos não se despedirem) apagam-se as luzes e pronto; durante o filme, muitas gargalhadas* (novamente o espanto - que expansividade é esta que nunca antes a vi por cá sem ser nos socos e encontrões dos bêbedos e nos fãs de hóquei no gelo?); assim que acaba o filme, acendem-se as luzes (um exagero de luminosidade que me cegou imediatamente), levantam-se todos, dirigem-se à saída; acabou.

foi quase como olhar alguém que arranca um penso rápido duma só vez, num puxão vigoroso. já está! já pus a mão no ar para o senhor do clube saber que eu quero as canetas de feltro, já me ri, já sei esta história, agora acabou.

para a semana há mais.

*e nem era filme de rir... talvez por isso.

stock sale

02 outubro 2007

surpresas da pesca

Não tinha dado nada.
Preparava-me para voltar para casa, mas resolvi atirar a linha uma última vez.
Senti um esticão bem forte. Segurei firme e comecei a enrolar o carreto com cuidado, devagar. E não é que vejo vir um nazi no anzol! Um nazi bem bom, dos grandes! Fiquei admiradíssimo, tinham-me dito que já não havia. Tratei de o tirar com o auxílio do camaroeiro e fui verificar imediatamente. Era mesmo. General e SS, calculem! Com boné, medalhas, suástica e tudo. Vá lá uma pessoa acreditar no que lhe dizem! Meti-o logo numa lata, enquanto estava fresco, e despachei-o para a Peixaria Nacional. Lá devem saber o que fazer com ele. A mim, francamente, não me serve para nada.

01 outubro 2007

que coisa fantástica! (parte 2)


ah! afinal sou mesmo sortuda.
ou pelo menos não congelo.
ainda.

que coisa fantástica!

hoje apanhei uma abelha a mijar. não sou sortuda? ãh, ãh?!

há dias em que devia ficar em casa a dormir.

comviq amigos

já decorei o meu número de telefone sueco. não sei bem o que isto significa, mas há-de ser alguma coisa importante. afinal, passei cá um ano inteirinho com este mesmo número e sempre me recusei a sabê-lo de cor...

mas continuo com o pacote dos emigras, claro.
isto de me assuecar só acontece até determinado ponto. espero eu.

28 setembro 2007

festival de outono

é obrigatório ir!
hoje e amanhã, no salão de baile
mais bonito do concelho de cascais há uns anos era...


foi o meu mano que organizou.
não é lindo?

27 setembro 2007

NO.l.ita



to use the naked body to show everyone the reality of this illness (...) the advert might encourage young women to imitate Caro and “compete for extreme thinness” (...) it would be better to help young women to accept a variety of body measurements and understand that beauty comes in all sizes.

25 setembro 2007

isto cansa

andei a tentar dar cabo da barra aqui ao lado. 4 horas e muitos palavrões depois, está quase igual ao que estava. chiça!

mais noutro dia. ando com pouca paciência para isto. depois de ter conseguido dar a volta a umas quantas coisas do betacoiso do blogger estou inchada de orgulho já não aguento mais. tenho de ir dormir. fica o resto para depois.

entretanto, sugestão para o fim-de-semana isto deprime-me, tenho de deixar de saber o que se passa por aí:

o espaço deles e o deles

aviso: tentei ver os meninos feromona há uns tempos na fábrica da pólvora - passem pel' o bichinho de conto se puderem, é muito fixe. desisti depois de uma hora e um quarto à espera que se decidissem a começar. será que é suposto ser assim? para mim é falta de respeito.

mais do mal

24 setembro 2007

hum...

biocombustíveis e o aquecimento global. aqui.

21 setembro 2007

acabou hoje


ufa!
agora faltam os relatórios...

18 setembro 2007

aos escrevedores de comentários e outros interessados

comecei ontem a maratona de laboratórios.
levantei-me às 5h45 e só cheguei à residência às 21h30. hoje será outro tanto assim. e amanhã. e depois. e até sexta-feira. com a entrega da project description pelo meio (o prazo de sexta-feira passada era só meu e não o cumpri. parva, né?). e uma super-reunião com os 30 000 supervisores oficiais que me arranjaram mais os 20 000 supervisores honorários que me vão arranjar.
desculpa suficiente para a demora na resposta?

ó sô ex-canadiano, isto de ameaças bloguecoisas não tem grande piada...
mas a música do demo é muito fixe, não? hehe.

15 setembro 2007

14 setembro 2007

project description

tenho de entregar isto depois do almoço. mas que raio é que eu venho praqui fazer?!

era fixe escrever solve the world energy crisis, mas talvez seja um bocadinho ambicioso demais...

12 setembro 2007

se calhar não preciso de me preocupar com isso aí abaixo.

you will now see it in action, the bomb which has no match in the world is being tested at a military site.

mas amiga do ambiente. está na moda ser amigo do ambiente.

árctico

há menos de um ano era assim. agora dizem isto. preocupa-me.
mais acerca disto e de outras coisas aqui.


11 setembro 2007

amostras de agosto

stora torget,

churrasco,

oslo,

mirtilos,


tradições académicas,

como vim aqui parar

abril:
. termina relacionamento doentio com afamada instituição de ensino.

maio:
. brilhante carreira no maravilhoso mundo da bata azul. dura 2 meses e meio.
. recebe resposta assustadora.
. aceita resposta assustadora.
. assiste a concerto brilhante. menos brilhante do que o esperado.

junho:
. continua carreira no maravilhoso mundo da bata azul.
. entrada em período de negação.

julho:
. termina carreira no maravilhoso mundo da bata azul.
. férias boicotadas pelo instituto de meteorologia.
. negação agrava-se.
. avião de volta a karlstad, consequência da resposta assustadora aceite em maio.

10 setembro 2007

(procrastinando)

Procrastinação significa «adiamento», relacionando-se com o verbo procrastinar, «adiar». Ambos os vocábulos surgiram em português por via erudita, porque remontam ao nome ‘procrastinationem’ (caso acusativo) e ao verbo ‘procrastinare’, palavras do latim clássico. No radical destas palavras incluem-se os seguintes elementos: ‘pro’, preposição latina, com a acepção de «a favor», «em lugar de»; e ‘cras’, «amanhã».

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2001), ‘cras’ foi utilizado como crás em português antigo e entra em alguns cultismos: crástino, «próprio do dia de amanhã» e «matutino, matinal»; e toda a série derivada da base procrastina-, constituída por, a saber, procrastinabilidade, procrastinado, procrastinador, procrastinamento, procrastinante, procrastinatório e procrastinável.

daqui

repreensão

Depois de fuzilado
ao levar
o tiro na nuca pra acabar
chateou-se
e viu-se obrigado
a explicar
ao major
que comandava o pelotão
que o tinha fuzilado
por favor
preste atenção
e não me obrigue a repetir
a repreensão
na próxima vez
que mandar matar
dê tempo ao morto
pra gritar
convicto
um último viva a revolução

07 setembro 2007

a partir de novembro vou estar...

ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai...

06 setembro 2007

amostra de prenda de aniversário


gossip



m.i.a.


e mais ainda! chega tudo aí daqui a uns dias, moça.
beijinho.

desculpa tantos youtubismos, rebeca...

03 setembro 2007

mas música, sim



e fotos?

fotos só depois. continuo preguiçosa...
e as notícias vêm com as fotos, pois claro. caso contrário não tinha piada nenhuma nem me serviria de nada ser preguiçosa.

e vocês desse lado, não dizem nada? alguém foi espreitar alguma coisa do fim-de-semana maravilha que espetei aí mais abaixo? não devia perguntar, só vou ficar cheia de pena de não ter ido. e de inveja de quem foi.

(vera: ainda não comecei com aulas - nem a assistir nem a dar. nem fales nisto...

ricas: vou ver se encontro umas coisitas para ti. desculpa não ter tido em consideração o teu último exame (e então? e então? que tal?). sou terrível, é verdade. acho que há qualquer coisa hoje e amanhã num sítio no castelo - cefalópode - , mas nunca lá fui, não sei como é. vês? até sou fixe...

ex-canadiano e patroa: visitas, sim! quero muitas visitas! espreitem na ryanair*. porto->estocolmo a partir de meio de outubro

nf0: obrigada.)

a preguiça atinge tal nível que nem consigo responder aos comentários no sítio deles. bah!


*alterei o linque (continência ao general pum pum) para ir dar à página de portugal.

30 agosto 2007

já tenho net

mas estou na universidade... notícias a sério durante o fim-de-semana.

por agora ficam umas sugestões para vocês:
acontecem mil coisas quando não estou aí...


1. cine-lençol no príncipe real, dia 31ago.

pelo MAL.



2. l'orchestra di piazza vittorio no ccb, dias 31ago e 1set.

o espaço deles



3. aniversário do bacalhoeiro no campo das cebolas, dia 1set.



4. feiralegria na praça da alegria, dias 1 e 2set.



5. um ano de tralha urbana no jardim da estrela, dia 2set.



vão clicando nas palavras espalhadas por aí para saberem mais.

24 agosto 2007

um beijo de longe

continua a faltar-me net para poder dar mais notícias e escrever mais parvoíces.

mas deixo por aqui um beijo. das saudades não me livro, ando sempre com elas atrás.

13 agosto 2007

09 agosto 2007

merda.

já lixei esta coisada toda.
não há ctrl+z no blogger a que propósito?!

(apetece-me muito bater em alguém. voluntários?)

07 agosto 2007

no país das maravilhas tecnológicas

ainda não consegui ter internet no quarto. é o que dá chegar em tempo de férias. e, como menina bem-comportada que sou e com tanto medo que quase faz chichi nas cuecas, não me vou pôr a tratar do blogue no trabalho (isto que eu vou fazer por aqui é trabalho, acreditam? incrível! e já tenho contrato assinado e tudo. uau...).

pronto.

escrito rapidamente enquanto ninguém está a espreitar pela porta (tenho um gabinete! com telefone! e computador! e o meu nome na porta! e uma caixa de correio ao fundo do corredor (também tem o meu nome)! inspirarexpirarinspirarexpirarinspirarexpirar...) e só para não acharem que me esqueci.

de volta à termodinâmica, agora (vou dar aulas! de laboratório! de termodinâmica! é nesta parte que me mijo de medo...)

25 julho 2007

teias






















para a semana trato disto.

04 maio 2007

uma coisa é certa

este moço eu vou ver.



vá lá. eu queria.

esclarecimento

a barra aí do lado está muuuuuuuuuuito desactualizada. preguiça é uma coisa feia, né?

novidades e tal

já acabou.* e entretanto já começou outra coisa - para passar o tempo e lixar as mãos. e agora (agoragora, nem há meia-hora atrás) recebi uma resposta de fazer o queixo cair. e não quero dizer o que foi porque nem me apetece pensar no que foi. e continuo fookin terrified como o pinto aí mais abaixo.

* resposta ao menino do lençol e à menina de bxl e ao menino que já foi canadiano (desculpem ser tão tarde): acabei o curso, fiquei como mestre e com mais nota do que estava à espera - às vezes sabe bem ser pessimista e surpreenderem-nos assim.

15 março 2007

relaxe

roubei a imagem daqui

falta-me vontade, net de jeito e um computador a funcionar para conseguir arrumar o blogue. alterar uns links aqui ao lado, actualizar as maquinetas da temperatura, escrever uma data de coisas engraçadas de que me lembrei (e que já esqueci), contar as novidades e desempoeirar tudo.

ainda vai demorar um pedacinho.
paciência, sim?

e um beijinho a toda a gente.

(ando tão contente com o sol e o quentinho! nem quero saber que estamos em março e que isto é só por já termos lixado as estações do ano todas. egoísta...)

23 fevereiro 2007

21 fevereiro 2007

partes dois e três daqui a uma semana e daqui a um mês, respectivamente. ai...

ufa! (parte um)

"Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender. Este livro é a minha cobardia."

o livro do desassossego

17 fevereiro 2007

pára tudo!

parece que umas almas iluminadas descobriram que afinal esta coisa do planeta terra não passa dum adereço de secretária do grande senhor deus.

vida de bibelot é lixada.

14 fevereiro 2007

a máquina da publicidade apanhou-me

eu ainda tento, mas desta vez não deu. aqui vai o meu presente, menino:

de million dead (i am the party)



para frank turner (back in the day)




hehe...

12 fevereiro 2007

a sesta


Pierrot escondido por entre o amarelo dos girassóis espreita em cautela o sono dela dormindo na sombra da tangerineira. E ela não dorme, espreita também de olhos descidos, mentindo o sono, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silêncios por entre o amarelo dos girassóis. E porque Ele se vem chegando perto, Ela mente ainda mais o sono a mal-ressonar.

Junto d'Ela, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lisos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ela acordou cansada de tanto sono fingir.

E Ele ameaça fugida, e Ela furta-lhe a fuga nos braços nus estendidos.

E Ela, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ela dormisse outra vez.



11 fevereiro 2007

uau!



sim: 59,25%

não: 40,75%


43,61% de votantes



(estou tão contente!)

07 fevereiro 2007

e agora coisas sérias

estão ver a data que aparece ali em cima? mesmo antes do título? 7 de fevereiro, né? e já quase no fim do dia. o que quer dizer que daqui a nada - 3 dias de nada - abrem as urnas. e eu não vou poder ir.

sempre fui uma indecisa. nunca soube muito bem em que votar, ter de decidir é uma chatice, ai que eu nem conheço bem nenhum dos marmanjos que andam praqui com promessas, e se me enganam?*

em relação à questão da despenalização do aborto nunca tive dúvidas. e nunca pude ir votar.

o primeiro referendo foi no dia dos meus dezoito anos e, embora me tivesse já recenseado, ainda não podia ir (trapalhadas burocráticas e mais sei lá o quê). arranjei solução: negociei o voto com o meu pai (isto não se pode dizer, pois não?). ele não queria ir porque dizia que a escolha era da mulher e que ele não tinha nada a dizer nesse assunto. semanas de discussão infrutíferas resultaram num então vais por mim. faço dezoito anos, sou mulher, quero votar sim e não posso. e ele foi.

desta vez não posso ir porque estou longe e não tenho direito a voto antecipado, nem a votação por carta, nem a ir votar à embaixada ou ao consulado - é só um referendo, não há cá dessas mariquices, aparentemente. (algum abstencionista por aí que queira fazer o jeito?)

já li e vi muita coisa acerca disto. maravilhas da nova era da comunicação. muita parvoíce do lado do não e do lado do sim. o que é natural. esta questão inflama-nos. a mim inflama muito. sempre que tento escrever alguma coisa acerca disto irrito-me. tremem-me as mãos. começo a hiperventilar. não consigo perceber o outro lado. saem-me gritos desproporcionados pelos dedos e tenho vontade de insultar todos quantos andam praí a dizer disparates (barbaridades!), a enfiar panfletos nas malas de crianças inocentes, a servir-se da figura bem-falante para confundirbaralharoqueéqueeledissemesmo, a propôr mudanças de lei ou penitências públicas ou raicoparta. sim, é tudo do lado do não. não sou imparcial nem pretendo ser - não me vou pôr agora aqui a apontar fraquezas do sim, tá?

por partes:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (...)?"

concordo. a chave aqui é a palavra despenalização. não está lá escrito liberalização, embora haja quem jure a pés juntos que é isso que lá está. mas não é. remeto para o (grande) conhecedor de termos jurídicos aqui. mas há por aí alguém (deve haver, mas aposto que são poucos e que precisam de alguma ajuda psiquiátrica) que ache que uma mulher que aborte tem de ir presa? clamam aos quatro ventos que nenhuma mulher é condenada (o que é mentira). e que a lei deve continuar na mesma, mas sem se condenar nenhuma mulher. esta gente está parva? está bem que isto de cumprir leis é um bocadinho subjectivo em portugal (vejam-se os limites de velocidade e quantos consideram velocidade de cruzeiro um valor que já é considerado crime), mas caberá na cabeça de alguém ter uma lei que diz explicitamente que a mulher grávida que der o seu consentimento ou que pratique um aborto e que a pessoa que a fizer abortar são punidos com pena de prisão até 3 anos e depois, em letra miudinha entre parênteses, escrever: ah, mas isto é assim meio a brincar, está bem? é só para assustar?! e não me venham com conversas anormais dizendo que o aborto vai aumentar se for despenalizado. uma coisa garanto: o aborto legal aumenta de certeza. mas ninguém aborta por gosto.

"(...) se realizada, por opção da mulher (...)"

havia de ser por opção de quem? vamos lá ver as várias hipóteses para um casal, já que anda toda a gente muita aflita com o coitadinho do homem que não tem voz no assunto.

. ambos querem um filho: perfeito. acabou a discussão;

. nenhum quer um filho: quase perfeito. se têm dinheiro vão a espanha. se não têm dinheiro estão lixados. ou arranjam algum e através de alguém que conhece alguém que ouviu falar de qualquer coisa, acabam nalgum sítio escondido a fazer figas para que a mulher saia de lá inteira e a respirar; ou acabam na internet à procura de cházinhos abortivos e maneiras de fazer abortos com lâminas como a brasileira que veio aqui parar há uns tempos; ou a desgraçada da criança acaba por nascer e, com sorte, alguma instituição se ocupa dela - ou os pais ganham o euromilhões -, com azar, acaba no congelador junto ao peru de natal (isto aconteceu onde eu moro);

. a mãe quer o filho, mas o pai não: idealmente ela mandava o homem dar uma curva e tinha a criança sozinha. como não vivemos num mundo ideal, às vezes acaba por abortar na mesma;

. a mãe não quer o filho, mas o pai quer: pronto. aqui é que está o problema. como é que nos desembrulhamos desta? metade da informação genética no feto é pertença do senhor, não? talvez... ainda demora um tempinho até que se possam fazer testes de paternidade. dela é de certeza. e se a vontade dele prevalecesse e no fim ele descobrisse que o puto era do carteiro e cagasse no assunto? era giro. e, admitindo mais uma vez que ele pode decidir, a mulher fica a ser o quê? incubadora? olha, agora aguenta. durante nove meses a alimentar e carregar um ser em crescimento dentro dela, sem o querer? e a criança? um estudo qualquer - não tenho a referência, têm de acreditar em mim - apontava para uma relação entre a saúde da criança e a vontade da mãe que a carrega de a ter. é aquela coisa do amor, parece-me. costuma ser importante quando se cria um filho.

meus queridos, por muito que doa, só as mulheres conseguem fazer crescer um ovo, mesmo que o espermatozóide tenha tido um papel importante na coisa. não dá para dar a volta a isto.

também há por aí quem ache que isso dá um poder desmesurado às mulheres (que, coitadas, são fracas, não aguentam) e que por isso precisam de alguém que as ajude a pensar. tipo comissão autorizadora de abortos, acho. incrivelmente, eu até concordo em parte. vejam mais abaixo na última parte da pergunta.

"(...) nas primeiras dez semanas (...)"

este é um período como outro qualquer. bom, como outro qualquer não. decidiu-se que era o tempo suficiente para a mulher se aperceber da gravidez, reflectir sobre o assunto e, no caso de assim o decidir, interromper a gravidez em segurança. em muitos países o período é de doze semanas, mesmo mais noutros sítios. definiu-se assim. concordo que assim seja. concordaria com um prazo mais alargado, mas decidiu-se este. a objecção de o aborto às dez semanas e um dia continuar a ser penalizado é acéfala. parece réplica de escola primária a acabar com uma língua de fora. e nem vou dizer mais nada sobre isto.

"(...) em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

esta parte é muito importante. numa manobra que nem sei classificar, o senhor marques mendes andava a querer mudar a lei depois do referendo, se o não ganhar. como é que é? ah e tal, sou contra agora, mas depois de 11 de fevereiro despenalizamos. ãh? o problema parece que é esta parte do estabelecimento de saúde legalmente autorizado. não percebo. querem o quê? despenaliza-se, mas quem precise de fazer um aborto continua a ter de ir a espanha ou ao vão de escada mais próximo?

o facto de se poder proceder à interrupção da gravidez num estabelecimento de saúde legalmente autorizado tem várias vantagens. entre as mais importantes, terá condições médicas (dignas e seguras) e permitirá um acompanhamento das mulheres que a ele recorrem - acompanhamento médico e planeamento familiar (olha aqui a parte da comissão autorizadora de abortos. nem a estavam a ver, hein?). esta intervenção junto das grávidas tem, quanto a mim, dois aspectos muito importantes: será possível apresentar opções à mulher que ela, num momento de desespero, poderia nem ter considerado; e permite ensinar. o senhor júlio machado vaz concorda comigo.

isto leva a que morram menos, se estropiem menos com cabides enfiados vagina acima, engravidem menos sem quererem, e abortem menos. só se ganha, não?


a resposta é sim!

(isto está um bocado grande. e não disse tudo.)

mais ligações:

a lei em vigor

o aborto em portugal - estudo da apf


*sempre lá fui. acho uma grande falta de respeito por todos quantos morreram e sofreram a lutar para que toda a gente tenha direito ao voto, sem discriminação de sexo, raça ou credo, não ir. existem outras opções fora dos quadradinhos sem ser a abstenção. assim de repente, sem sequer pensar muito, lembro-me do voto em branco e do voto nulo. e há sempre castanhas ou farturas à porta, por isso pode ser passeio.

respirar fundo

06 fevereiro 2007

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e vai ser uma festa tão fixe!

o meu mano diz que sim.

04 fevereiro 2007

quando as mulheres decidem abandonar o estado de gravidez

"(...) na barriga da mulher grávida não está nenhuma criança. Ela está na tua cabeça. Ou na cabeça da mãe. Se está na cabeça da mãe, ela está na barriga, existe mesmo de verdade, merece todo o amor e protecção. Mas se só está na tua cabeça, e não na dela, não está na barriga da mãe. É verdade, o que temos na nossa cabeça existe mesmo, é real. Mas não tens o direito de plantar as criaturas da tua cabeça na barriga duma mulher sem o seu consentimento."


hoje são só roubos.
título daqui e excerto daqui.

mais acerca do referendo

"O referendo não trata de Ciência, de Filosofia, de Ética ou de Moral — isso não são matérias referendáveis. O Referendo trata da Lei. Obviamente, cada eleitor está no seu direito de decidir o seu voto com base no que quiser (Ciência, pseudo-ciência, Filosofia, Ética, Moral, Fé...) — mas o Referendo trata de leis. É exactamente por tratar da Lei e não da Ciência ou da Moral que o Referendo não pretende «definir vida humana».

É um engano pensar que, se a Lei não punir o aborto até às 10 semanas, então a Lei está (implicitamente) a dizer que o feto até às 10 semanas «não é humano». A Lei não diz (não dirá) que é nem que não é: o que a lei dirá é que até às 10 semanas a Lei não protegerá o feto das decisões da mulher grávida (ou seja, se ela decidir abortá-lo não será legalmente punível).

(...) seja qual for o nosso sentido de voto, não estamos a definir princípios de vidas, não estamos a decidir o que é um ser humano e o que não é. Estamos a decidir se um acto é ou não um crime, se a mulher que decidiu praticar esse acto é ou não criminosa — e se, por isso, deve a Lei puni-la ou não."


roubado descaradamente daqui. carregar no excerto acima para ver o texto completo.
a imagem veio daqui.

02 fevereiro 2007

silêncios

isto anda um bocado pobre em palavras, né? retrato fiel do que se passa por cá. pobreza de palavras.