12 junho 2009

mais do que ortografia

não é na ortografia que a diferença entre o meu português e o português do brasil se encontra. esta apenas espelha parcialmente musicalidades que são em si diferentes; ritmos que se geram em partes distintas do corpo e que por isso mesmo tangem emoções noutros nervos, noutras vísceras. uniformizar a ortografia não altera nada. e isto, felizmente, não é apenas sentimento meu:

«Não há a rigor uma só frase que não nos cause estranheza – tudo é familiar, mas pelo caminho espalham-se pedrinhas de sentido a desviar o rumo. Quanto à linguagem, em nenhum momento o leitor se sente em casa, e isso é mortal na prosa literária, que tem na vida cotidiana da língua a sua matéria-prima de origem. Não é só vocabulário, o que seria um problema simples – é sintaxe mesmo, os pronomes todos e seus modos de usar, campos semânticos sutilmente distintos, regências particulares que vão como que armando um novo modo de ver o mundo, tudo que metaforicamente define uma língua.»

cristóvão tezza,
escritor brasileiro
aqui

não concordo com a sugestão de alterar sintática e ortograficamente as obras de cada lado do atlântico, traduzindo-as como se de outra língua se tratasse, que o escritor sugere no final do artigo referenciado. o ritmo do original, embora possa causar estranheza e deixar uns pozinhos de desconforto na mente, é único. perde-se sempre numa tradução, é transfigurado pelo tradutor que o filtra, que o molda de maneira a melhor encaixar numa outra emoção mais familiar ao leitor. mas admito que entre uma tradução dum livro em língua que desconheço prefiro sempre (e continuarei sempre a preferir) a portuguesa. e espero que com a minha ortografia.

02 junho 2009

diferenças culturais

eu aprendi a escrever relatórios no 10° ano - quais as partes essenciais e tal. depois duns quantos atrapalhos (incluindo a quase-inclusão duma receita de molho de tomate num relatório de biologia, cof cof...) lá aprendi o que é essencial incluir (e o que não é!). fui aprendendo truques e ganhando hábitos, especialmente na faculdade em que a seriedade da coisa aumentou exponencialmente. como se constroem tabelas, como se numera e descreve e inclui figuras, blábláblá. ainda tenho muito que aprender (os próximos dias vão ser interessantes por razões que não me apetece explicar), mas sempre SEMPRE sempre tentei fazer uma coisa de jeito.

agora, estes suécios... como é que no segundo ano da faculdade não sabem as coisas mais básicas?! não sabem escrever um sumário (não inclui as 30 tabelas de resultados!), não sabem que a introdução teórica ou lá como lhe quiserem chamar não é uma lista de equações a usar, não sabem que têm de referenciar a origem dos valores tabelados, o que é que eu estou a dizer?!, eles nem sabem que apresentando um diagrama têm de escrever na legenda a que elemento se refere e não apenas "diagrama" (diagrama quê? diagrama de quê?)! e as conclusões... as conclusões!

estou em choque cultural.

nota: esta gente não leva nota. é só passar ou chumbar. os relatórios são entregues numa determinada data, corrigidos e devolvidos para alterações; novamente entregues, corrigidos e devolvidos para alterações; e de novo; e de novo; e de novo - até eu entrar em parafuso e passar toda a gente! não é um bom sistema.


29 maio 2009

há mesmo gente horrível neste mundo

"Reducido el sexo a simple entretenimiento, ¿qué sentido tiene mantener la violación en el Código Penal? (...) ¿No debería equipararse a otras formas de agresión, como si, por ejemplo, obligáramos a alguien a divertirse durante unos minutos?"

daqui, visto aqui
estou ... nem sei como explicar a repulsa que sinto

25 maio 2009

(cleptomania minha)

se as cidades estão cheias de passado
é de ausências que se embaciam as ruas

lugares vazios onde as estrelas se apagam

e o que não se disse da melancolia
é que vivemos numa espécie de queda




maria sousa

20 maio 2009

saudades

hoje paguei 45 coroas* por um pão. ainda não me arrependi.
*4,30 euros... credo!

18 maio 2009

já tenho net em casa!

e agora vou dormir, que isto cansou-me muito.

notas breves:
1) saber como se diz cardinal em sueco é muitíssimo importante quando se precisa de contactar os serviços técnicos por telefone;
2)também ajuda não entrar em pânico quando uma gaja qualquer começa a debitar tralha em viking à velocidade da luz - costuma ser publicidade... que saudades da musiquinha parva que entretinha a espera!

13 maio 2009

é fartar, vilanagem!

mais alguém reparou que dum momento para o outro começou toda a gente a escrever "fartar vilanagem" a torto e a direito por esta blogosfera fora? e para eu, que ando em modo desligado, ter reparado a coisa deve ser muitíssimo grave. será pandemia?

08 maio 2009

dores de cotovelo

«(...) si los Obama conocieran las diferencias entre el perro de agua portugués y el español "habrían elegido el español" como mascota. (...) "El perro de agua portugués es más serio que el español por haberse dedicado a la guarda de las embarcaciones", señala García. (...) Sin embargo, su pariente portugués está más extendido fuera de España porque fue registrado en los libros caninos de Portugal mucho antes que en España.»

daqui, visto aqui.

e o negrito está assim no original e tudo. ahahaha!

21 abril 2009

pergunta

conta como procrastinação sentar-me em frente ao computador durante horas e só conseguir escrever duas palavras seguidas de jeito quando faltam dez minutos para o prazo final? e (apenas) nessa altura me entusiasmar, achando que ficaria perfeito se tivesse só mais uma horinha? que grande merda.

ainda não cheguei aos dez minutos finais.

15 abril 2009

14 abril 2009

(isto deve ser para compensar a ausência prolongada)*

roubadíssimo, de novo
* ou para fugir ao trabalho... cof cof

legenda #4

não é que me faltem coisas para dizer. por vezes nem sequer são as palavras que faltam. é mesmo a vontade.

legenda #3

a páscoa na suécia dura 4 dias e meio. feriado sexta (por isso quinta só se trabalha meio-dia*) e feriado segunda. deu para plantar coentros e salsa, para coser meias, para comer gelado, para andar de manga curta na rua (mesmo com frio), para tirar as socas e as pulseiras da caixa, para fazer o primeiro churrasco do ano e jogar kubb, para experimentar receitas antigas, para sentir muitas saudades da feira da ladra e do cheiro de lisboa depois da chuva.

*sim, eu trabalhei o dia inteiro. e um pouquinho durante os outros dias também...

legenda #2

voltar da alemanha foi excelente. deixar de carregar a vida numa mala de viagem. ter a melhor visita. curtinha...

legenda #1

passei o mês de março inteirinho na alemanha. as primeiras 3 semanas em augsburg, a trabalhar em sala limpa, a usar uma caixa de luvas gigantesca (tão fixe!), a evaporar coisas em sistema de vácuo, a medir as minhas primeiras células solares.* a última semana em dresden, a ouvir mil pessoas (6 000!) a falar de coisas que não percebo (e de algumas que já percebo um bocadinho) e a tentar vender os meus resultados no matadouro que é uma sessão de posters na alemanha. foi bom.

* não vou explicar. não quero (mais) gente a dormir por aqui.

13 abril 2009

alemanha/p./páscoa/preguiça

munique - torre chinesa

institut für physik, universität augsburg - caixa de luvas

augsburg - mercado

augsburg - fuggerei

augsburg - fuggerei ninguém está a espreitar, são autocolantes... hehe!


augsburg best bike ever, anke!

augsburg super-frango!

augsburg


karlstad foto do p.

páscoa - churrasco e kubb

páscoa - folar

páscoa - folar

sol este fim-de-semana de páscoa armei-me em sueca e vesti-me de primavera, com direito a socas e
a pulseiras nos tornozelos e a vontade de andar de sandálias (só a vontade, não exageremos) e tudo. que bom!