23 setembro 2009

(mensagem pessoal)

à atenção dum certo e determinado emigra: eu gosto de usar linhas em branco a separar parágrafos. manias da linha, sei lá. mas anotei a dica.

sinais

há uns anos fui contra um poste. tive desculpa - o menino pp, a baralhar-me os passos e o batimento cardíaco e tudo, e o poste dar-me pelas mamas, encontrando-se por isso fora do meu campo de visão.

ontem repeti a proeza. nada de meninos, nada de postes curtinhos. não sei bem que pensar disto. dói-me o ombro.

deve estar relacionado com isto,
mas não quero admiti-lo.

22 setembro 2009

bonito de morrer

vi aquiaqui e o coração lembrou-me que já conhecia estas palavras doutro sítio. roubei-as todas para partilhar com quem aqui passar.

«E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao Florent beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa da televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus olhos dos teus lábios do teu pescoço dos teus peitos do teu rabo do teu ________ e sentar-me nos degraus a fumar até o teu vizinho chegar a casa e se sentar nos degraus a fumar até tu chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasada e ficar surpreendido quando chegas cedo e dar-te girassóis e ir à tua festa e dançar até ficar todo negro e pedir desculpa quando estou errado e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustado quando estás zangada e um dos teus olhos vermelho e o outro azul e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és lindíssima e abraçar-te quando estás ansiosa e amparar-te quando estás magoada e querer-te quando te cheiro e ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para o teu peito e cobrir-te à noite e ficar frio quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando te ris e não compreender porque é que pensas que eu te estou a deixar quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre o rapaz da floresta encantada de árvores-anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar porque é que tu não acreditas em mim e ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras e querer comprar-te um gatinho do qual teria ciúmes porque teria mais atenção que eu e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar como um bebé quando finalmente vais e ver-me livre das baratas e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las de volta outra vez e pedir-te em casamento e tu dizeres não outra vez mas eu continuar a pedir-te porque embora tu penses que eu não estou a falar a sério eu estou mesmo a falar a sério desde a primeira vez que te pedi e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando deveria não o fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesto porque sei que preferes assim e pensar que acabou tudo mas ficar agarrado a apenas mais dez minutos antes de me atirares para fora da tua vida e esquecer-me de quem eu sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira de alguma maneira de alguma maneira transmitir algum do esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti.»

crave, sarah kane

20 setembro 2009

ai!, isto aqui abaixo está em repite... não consigo deixar de carregar no botãozinho.

mais lálás

19 setembro 2009

e estes são os morangos selvagens que o vento me deixou de presente na varanda durante o verão




vai correr bem

acaba o tempo na lavandaria, mas estendo a roupa ao sol na varanda e de repente estou um bocadinho em casa; um "gosto de ti" inesperado a meio duma frase acende-me um sorriso por dentro; mão morta a passar na rádio deixa-me aos saltinhos na suécia. até nem está a ser um dia mau.

11 setembro 2009

tanta coisa boa para fazer em lisboa


todos, caminhada de culturas
martim moniz - 10 a 13 de setembro
programa aqui (pdf)

música, exposições, passeios, tanto.

10 setembro 2009

08 setembro 2009

rendemo-nos a quem desarmamos.

02 setembro 2009

medo


vão por mim, sim? e tenham medo.

27 agosto 2009

termodinâmica dos cacos pulsantes

há proporcionalidades que se querem directas e que surgem, por momentos, surpreendentemente inversas. no final, tudo obedecerá à primeira lei.

20 agosto 2009

that leaving feeling



trouxe tudo comigo, incluindo a tristeza e as chaves; não quero deixar nada para trás.

12 agosto 2009

para fazer em lisboa

parar no museu da electricidade e espreitar o re-made in portugal 2009:

«O Remade in Portugal é um projecto que procura incentivar à criação e desenvolvimento de produtos cuja composição integre uma percentagem de, pelo menos, 50 % de matéria proveniente de processos de reciclagem. (...)
Este projecto materializa-se em exposições periódicas que ocorrem tanto em território nacional como a um nível internacional com o objectivo de difundir a cultura do eco-design e do desenvolvimento sustentável.»

até 13 de setembro
entrada livre
ver também na RDB

coisas bonitas

estas coisas das bicicletas não me inflamam; para lisboa eu quero é muitos corredores bus e eléctricos e as linhas de comboio suburbanas casadas com o metro e que os carros se danem todos, tanto tanto que se inundem os transportes públicos e estes melhorem e e e e e.

mas a ciclovia belém - cais do sodré está tão bonita! quero mais. quero passear lá.




vão ver mais fotos, estão tão lindas.



O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro


11 agosto 2009

vou-me vingando das confusões do consulado e da comissão nacional de eleições*



My Political Views

I am a left moderate social libertarian
Left: 5.75, Libertarian: 1.92


My Foreign Policy Views
Score: -5.86



My Culture War Stance
Score: -5.15



political spectrum quiz, visto aqui.

* votar é mentira.

09 agosto 2009

suécia

tenho 17 picadas de mosquito no pé esquerdo.

12 junho 2009

mais do que ortografia

não é na ortografia que a diferença entre o meu português e o português do brasil se encontra. esta apenas espelha parcialmente musicalidades que são em si diferentes; ritmos que se geram em partes distintas do corpo e que por isso mesmo tangem emoções noutros nervos, noutras vísceras. uniformizar a ortografia não altera nada. e isto, felizmente, não é apenas sentimento meu:

«Não há a rigor uma só frase que não nos cause estranheza – tudo é familiar, mas pelo caminho espalham-se pedrinhas de sentido a desviar o rumo. Quanto à linguagem, em nenhum momento o leitor se sente em casa, e isso é mortal na prosa literária, que tem na vida cotidiana da língua a sua matéria-prima de origem. Não é só vocabulário, o que seria um problema simples – é sintaxe mesmo, os pronomes todos e seus modos de usar, campos semânticos sutilmente distintos, regências particulares que vão como que armando um novo modo de ver o mundo, tudo que metaforicamente define uma língua.»

cristóvão tezza,
escritor brasileiro
aqui

não concordo com a sugestão de alterar sintática e ortograficamente as obras de cada lado do atlântico, traduzindo-as como se de outra língua se tratasse, que o escritor sugere no final do artigo referenciado. o ritmo do original, embora possa causar estranheza e deixar uns pozinhos de desconforto na mente, é único. perde-se sempre numa tradução, é transfigurado pelo tradutor que o filtra, que o molda de maneira a melhor encaixar numa outra emoção mais familiar ao leitor. mas admito que entre uma tradução dum livro em língua que desconheço prefiro sempre (e continuarei sempre a preferir) a portuguesa. e espero que com a minha ortografia.

02 junho 2009

diferenças culturais

eu aprendi a escrever relatórios no 10° ano - quais as partes essenciais e tal. depois duns quantos atrapalhos (incluindo a quase-inclusão duma receita de molho de tomate num relatório de biologia, cof cof...) lá aprendi o que é essencial incluir (e o que não é!). fui aprendendo truques e ganhando hábitos, especialmente na faculdade em que a seriedade da coisa aumentou exponencialmente. como se constroem tabelas, como se numera e descreve e inclui figuras, blábláblá. ainda tenho muito que aprender (os próximos dias vão ser interessantes por razões que não me apetece explicar), mas sempre SEMPRE sempre tentei fazer uma coisa de jeito.

agora, estes suécios... como é que no segundo ano da faculdade não sabem as coisas mais básicas?! não sabem escrever um sumário (não inclui as 30 tabelas de resultados!), não sabem que a introdução teórica ou lá como lhe quiserem chamar não é uma lista de equações a usar, não sabem que têm de referenciar a origem dos valores tabelados, o que é que eu estou a dizer?!, eles nem sabem que apresentando um diagrama têm de escrever na legenda a que elemento se refere e não apenas "diagrama" (diagrama quê? diagrama de quê?)! e as conclusões... as conclusões!

estou em choque cultural.

nota: esta gente não leva nota. é só passar ou chumbar. os relatórios são entregues numa determinada data, corrigidos e devolvidos para alterações; novamente entregues, corrigidos e devolvidos para alterações; e de novo; e de novo; e de novo - até eu entrar em parafuso e passar toda a gente! não é um bom sistema.