21 abril 2009

pergunta

conta como procrastinação sentar-me em frente ao computador durante horas e só conseguir escrever duas palavras seguidas de jeito quando faltam dez minutos para o prazo final? e (apenas) nessa altura me entusiasmar, achando que ficaria perfeito se tivesse só mais uma horinha? que grande merda.

ainda não cheguei aos dez minutos finais.

15 abril 2009

14 abril 2009

(isto deve ser para compensar a ausência prolongada)*

roubadíssimo, de novo
* ou para fugir ao trabalho... cof cof

legenda #4

não é que me faltem coisas para dizer. por vezes nem sequer são as palavras que faltam. é mesmo a vontade.

legenda #3

a páscoa na suécia dura 4 dias e meio. feriado sexta (por isso quinta só se trabalha meio-dia*) e feriado segunda. deu para plantar coentros e salsa, para coser meias, para comer gelado, para andar de manga curta na rua (mesmo com frio), para tirar as socas e as pulseiras da caixa, para fazer o primeiro churrasco do ano e jogar kubb, para experimentar receitas antigas, para sentir muitas saudades da feira da ladra e do cheiro de lisboa depois da chuva.

*sim, eu trabalhei o dia inteiro. e um pouquinho durante os outros dias também...

legenda #2

voltar da alemanha foi excelente. deixar de carregar a vida numa mala de viagem. ter a melhor visita. curtinha...

legenda #1

passei o mês de março inteirinho na alemanha. as primeiras 3 semanas em augsburg, a trabalhar em sala limpa, a usar uma caixa de luvas gigantesca (tão fixe!), a evaporar coisas em sistema de vácuo, a medir as minhas primeiras células solares.* a última semana em dresden, a ouvir mil pessoas (6 000!) a falar de coisas que não percebo (e de algumas que já percebo um bocadinho) e a tentar vender os meus resultados no matadouro que é uma sessão de posters na alemanha. foi bom.

* não vou explicar. não quero (mais) gente a dormir por aqui.

13 abril 2009

alemanha/p./páscoa/preguiça

munique - torre chinesa

institut für physik, universität augsburg - caixa de luvas

augsburg - mercado

augsburg - fuggerei

augsburg - fuggerei ninguém está a espreitar, são autocolantes... hehe!


augsburg best bike ever, anke!

augsburg super-frango!

augsburg


karlstad foto do p.

páscoa - churrasco e kubb

páscoa - folar

páscoa - folar

sol este fim-de-semana de páscoa armei-me em sueca e vesti-me de primavera, com direito a socas e
a pulseiras nos tornozelos e a vontade de andar de sandálias (só a vontade, não exageremos) e tudo. que bom!

10 março 2009

da vida suspensa. do meu espanto. aqui.

escritas de corpo

«(...) Por vezes, olho algumas caligrafias e sinto cheiros, é como se estivesse a tocar uma pele escondida nas letras, como se ouvisse o tom de uma voz através da forma como a língua é desenhada sobre a página por uma mão mais ou menos firme, por um corpo mais ou menos firme, já que para a mão, quando escrevemos, vai todo o peso do corpo. (...)»

18 fevereiro 2009

pub



já andava há uns tempos para pôr isto aqui e falar de boxers que aparecem em primeiro lugar na lista de prendas de natal de putos suecos de 12 anos. fica só o video que o tempo anda a fugir-me.

19 janeiro 2009

isto não interessa a ninguém, mas lembro-me de me sentar ao pé do joão aguardela durante um sarau de ginástica há mil anos atrás enquanto calçava as sapatilhas e o meu coração batia um nadinha mais forte. uma emoção feita de adolescência e de cabelos compridos a gritar rebeldia e da aura de estrelas que afinal bebem bicas no bar da associação desportiva do bairro como as pessoas normais.

e agora, porque se morre em todo o lado e a todas as horas e as coincidências são umas putas insensíveis, o que descobri foi que uma canção que me andou a perseguir durante muito tempo é afinal parte do extinto projecto megafone. esta aqui abaixo.



que me desculpem se ofendo, mas do que me vou lembrar sempre é do coração acelerado e de ter querido ser crescida o suficiente para beber uma bica com o meu vizinho.

11 janeiro 2009

lá-lás para um retornado


não me perdoo não te ter visto, e à donana, no natal. mas vou seguir-te avidamente, qual stalker.

09 janeiro 2009

ainda não parei de rir



isabelle chase otelo saraiva de carvalho

carreguem nisto verde aqui acima, pelamordochantinhos!
(obrigadinha)

08 janeiro 2009

em decomposição

na semana passada caiu-me um cabelo branco. ontem caiu-me outro.

tira as calças



Sem Calças! '09 Lisboa 10jan 15h jardim de telheiras

07 janeiro 2009

17 dezembro 2008

publicidade, fotografia, lisboa


Lisboa, 3 da manhã, dia 19 de Dezembro e 24 horas seguintes.


«fui convidado para fotografar Lisboa durante 24 horas seguidas enquanto ao mesmo tempo todas as outras capitais europeias estão também a ser fotografadas por um fotógrafo/a. infelizmente não tive e não terei tempo para preparação. não faz mal, terá que ser feito engenho a partir do pouco que se tem. é aqui que vocês ou os vossos amigos e conhecidos podem participar... procuro sugestões e pessoas que vivam ou trabalhem em Lisboa e que gostassem de ser fotografadas por mim nesse dia! preciso de fotografar cada uma das 24 horas e por isso não tenham vergonha e peço descaradamente ajuda na vossa participação. pode ser fotografar o INEM durante a madrugada, como pode ser a fornalha de um padeiro. o quarto de um estudante ou a varanda de um escritor. a vassoura de quem limpa a madrugada ou o crepúsculo de quem não tem casa. o vermelhar de um nascimento ou uma visita às flores de uma lápide. não há muito tempo e resta-me a esperança de alguém ler, distribuir estas palavras rápidas e esperar que alguém me escreva ou me telefone com vontade em participar.

obrigado.»

09 dezembro 2008

bolo rei

coloca-se ~500 g de fruta cristalizada cortada em pedaços pequenos e ~200 g de sultanas a macerar em vinho do porto. Amassa-se 250 g de farinha com 50 g de fermento de padeiro desfeito em 125 ml de água morna (ou leite); faz-se uma bola, tapa-se e guarda-se a um canto quentinho da cozinha.


bate-se 200 g de açúcar com 200 g de margarina amolecida. junta-se 6 ovos, 2 dl de água (ou leite), uma pitada de sal, 100 ml de vinho do porto (eu juntei aquele onde tinha deixado as frutas a macerar e um gole de rum - ficou mais perto dos 200 ml...) e 1 kg de farinha. amassa-se bem - não é preciso ser tímido, arregaça-se as mangas, pede-se a alguém para segurar a tigela e usa-se as mãos até doerem os nós dos dedos e ainda mais. junta-se o fermento e amassa-se mais até se obter uma massa elástica, que não se cole às mãos (tem de se juntar um pouco mais de farinha se se exagerou na bebida). deixa-se repousar durante uns 5 minutos.

junta-se a fruta cristalizada e ~200 g de frutos secos cortados em pedaços pequenos. envolve-se bem e deixa-se levedar durante pelo menos uma hora tapado com um plástico - até dobrar de volume (e dobra mesmo!).


divide-se a massa em bolas com o tamanho desejado e deixa-se repousar durante 10 minutos, tapadas (ou não se deixa repousar, como eu). molda-se uma coroa fazendo um buraco no meio - quem quiser pode usar o cotovelo.* pincela-se com ovo batido, polvilha-se com amêndoa/noz/pinhões granulado e decora-se com fruta cristalizada, frutos secos e açúcar em pó.


deixa-se levedar no tabuleiro por mais uma hora (ou não. hehe!).

vai ao forno a 180 - 200 ºC durante o tempo que for preciso - para bolos de ~500 g deve demorar uns 25 minutos, mas o melhor é ir espetando a massa com um palito e ver se ainda vem alguma coisa agarrada.


serve-se com vinho do porto, glögg, uma troca de prendas, e gargalhadas q.b.



*não houve fava nem surpresa para ninguém - não arranjei a tempo.

nota: as quantidades da fruta cristalizada, das sultanas e dos frutos secos vêm aproximadas porque coloquei a olho (mais frutos secos e menos fruta cristalizada, acho eu) - mas estas são as que estavam indicadas numa das receitas que segui.

08 dezembro 2008

com dedicatória


«Toco a tua boca.

Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.

Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio. Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água.»

o jogo do mundo
julio córtazar

02 dezembro 2008

sabem o que notei mesmo agora na imagem amis aqui abaixo? que a curta a ilha das flores vai passar na versão original, em brasileiro. ai!

do dicionário da priberam:

brasileiro

de Brasil

adj. e s. m.,
relativo ou pertencente ao Brasil;
natural do Brasil;

pop.,
por ext. indivíduo que foi ao Brasil e que voltou de lá rico.


português

do Lat. portucalense

adj.,
relativo a Portugal;
diz-se de uma variedade de trigo-mole;

fig.,
franco, leal, apesar de rude;

s. m.,
indivíduo natural de Portugal;
indivíduo que tem nacionalidade portuguesa;
língua falada pelos Portugueses, Brasileiros e todos os povos africanos de língua oficial portuguesa;
antiga moeda de ouro.

'tá pcebidó moços?

do consumismo e outros pecados

casa da horta

quem não andar pelo porto pode espreitar aqui (the story of stuff) e aqui (a ilha das flores).

notinha: não deixar o cérebro em casa.

01 dezembro 2008

do insulto ao elogio vai um instante e meio




You Are a Pig



You are very intelligent, and you enjoy being around people. You can trust others easily.

You have great reasoning skills, and you are quick learner. You are able to adapt to most situations.



You tend to be very territorial and picky. You don't like people messing with your stuff.

You have keen senses and reflexes. You can defend yourself well and quickly sense danger.

28 novembro 2008

(peço desculpa a todos quantos aqui caem e levam com o video dos kings of leon a tocar imediatamente. não sei desactivar essa coisa no myspacetv e os videos que encontrei no youtube não se conseguem enterrar no blogue)

da suécia

saio às seis da tarde e já há mais de 3 horas que os meus passos são os únicos que os corredores da universidade ouvem.

26 novembro 2008

i could just taste it

kings of leon

aqueles cabelinhos à sueco* é que não se aguentam - espreitem na página da banda (é só clicar no nome aqui em cima) e até se assustam. mas o que é que lhes aconteceu?! credo...

*i.e. à foda-se.

20 novembro 2008

19 novembro 2008

está a nevar.

17 novembro 2008

a minha vida é (quase) assim



(mas em sueco, e com fil. acreditem, não combina com löfbergs lila. blargh...)

obrigada, britta

das coisas roubadas

«Então prescreveram morte por fuzilamento, mas Ascânio negou-se ainda: a sua objecção de consciência, explicou, era tanto de matar quanto de morrer.»

15 novembro 2008

14 novembro 2008

nanobamas

«Each face is made of approximately 150 million tiny carbon nanotubes; that's about how many Americans voted in the 2008 presidential election.»

faz-se assim:

11 novembro 2008

bóveling ó euhle*





aviso: esta combinação específica não contribui para melhorar o (fraco) desempenho. outras combinações (e.g. nöjesfabriken/mariestads ou score/bellman 6,0) serão objecto de estudo a desenvolver num futuro próximo. ainda existem vagas para colaboradores, que serão preenchidas após análise cuidadosa de carta de motivação. estudos alargados de correlação quantidade/qualidade ou ainda teor alcoólico/qualidade não se encontram abrangidos pelo presente projecto, carecendo de financiamento exterior**. contribuições individuais serão bem-vindas.

* bowling och öl (bowling e cerveja)
**a 6 euros a garrafa mais vale andar a comprar politiofenos ao quilo!

07 novembro 2008

27 outubro 2008

"Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros."

«Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? E que não são aumentados há seis anos? (...)»

ler o resto aqui

26 outubro 2008

falta-me a vontade.

23 outubro 2008

glup!

no god

"This campaign to put alternative slogans on London buses will make people think – and thinking is anathema to religion." Richard Dawkins
o modo súbito de ficar parada
quando às vezes há soluços no avesso da voz
aperto as mãos para dar cor à pele

sem te saber perguntar pela ausência
se estivesses aqui,
como quem fala do tempo,
não te iria dizer que
por cima da voz há relâmpagos



maria sousa

merda...

fiquei tão contente por conseguir finalmente resolver o meu problema com o firefox no computador da universidade (não me perguntem como que eu não percebi muito bem o que é que fiz nem devo conseguir reproduzir a proeza), que desinstalei o opera - assim duma assentada, sem apelo nem agravo, ingrata que sou mesmo depois de ele me ter salvo das garras do explorer. que se acalmem os aficionados, pois como vingança perdi os meus marcadores todos. todinhos. mesmo aqueles das páginas maravilhosas de física do estado sólido que eu ia espreitar hoje para o exame da semana que vem. ai.
estou cansada.

06 outubro 2008

contratos selados com amor

«o que mais me diverte nestas e noutras ‘opiniões’ sobre este assunto é o facto de, para combater esse terrível mal que é o casamento entre pessoas do mesmo sexo, estas almas anunciarem todas os apocalipses possíveis e imaginários, com um único e estrito cuidado: ignorar que quer o casamento quer a adopção existem há anos em vários países, e nada do que prenunciam (incluindo uma intervenção divina do género sodoma e gomorra) sucedeu. na ‘liberal inglaterra’, por exemplo, (...) existe adopção por casais do mesmo sexo. como em outros 6 países da europa (além do canadá, vários estados dos eua, e áfrica do sul).»
    
           
e também vale a pena espreitar o artigo do dn, donde a segunda parte do post que indiquei acima foi retirada. 

03 outubro 2008

ele há coisas que uma pessoa julga que só podem ser mentira. cambada de anormais.

     

"Métodos contraceptivos negam «verdade do amor conjugal», diz Bento XVI"

tsf

"Supremo confirma decisão de dispensa de cozinheiro com HIV"

público

"PS dividido impõe voto contra o casamento homossexual"com uma excepçãozinha para ver se não parece tão mal

dn

não quero, pura e simplesmente*

«(...) se uma questão que diz respeito ao património básico da comunidade, como é a expressão da língua sob a forma escrita (que nos formula identitariamente e nos permite fazermo-nos compreender), é condenada pela unanimidade dos pareceres dos especialistas que sobre ela se pronunciaram, como é o caso com o Acordo Ortográfico, não parece existir alternativa ao que propomos, que é a sua suspensão para posterior revisão.
                        
E não se trata aqui de matéria opinativa, como de modo incauto se pode supor. Não se trata de estar ou não estar de acordo com este documento que projecta a normalização da ortografia. Trata-se de verificar que ele propõe, numa matéria especializada, alterações que não estão cientificamente correctas, e que são unanimemente condenadas pelos entendidos, cabendo por conseguinte aos leigos a tarefa de reflectirem sobre os argumentos técnico-científicos que lhes são expostos.»
                        
                 
             
*«Em Junho, o ministro da Cultura afirmou no Brasil
que se o acordo é uma coisa boa, "então que seja o mais depressa possível".
Mas acrescentou: "Se é má, então não queremos, pura e simplesmente."»

02 outubro 2008

caep


centro de artes e espectáculos de portalegre. uau!  

   aqui

há poucas coisas tão irritantes quanto um sueco adolescente de voz a quebrar e duas bisnagas de gel no cabelo a falar incessantemente e uns decibéis acima do aceitável no banco de trás do autocarro às sete da manhã. 
  
quero ir dormir.

23 setembro 2008

   
     
      
     
«the planet is fine. the people are fucked!»
                                                                                 george carlin
               
        
 acrescento: vi isto aqui e aqui. acrescentei o g. carlin porque alguém o referiu nos comentários
(acho que já tinha posto este vídeo por aqui há uns meses) e eu acho-lhe muita graça.
para não pensarem que sou original - seria uma grandessíssima mentira.
            
outro acrescento: comecei por achar o vídeo de cima muito bonito. quando vi o macaco a
colocar a liana à volta do pescoço ia-me engasgando com o almoço. é um bocado parvo.

bardamerda bardamija

«"bardamerda" tem (...) origem em "vai beber da merda", que por sua vez é uma deturpação de "beber da mija" (antigamente, dizia-se também "beber da água, beber do vinho", etc.). Esta última expressão deu origem à menos comum "bardamija".»
   

o sócrates é meu amigo

anda o tempo a fugir-me não sei por onde não sei para onde, e vem este senhor alegrar-me os dias. não é que, sabendo como isto anda por aqui, o nosso primeiro condoeu-se de mim e arranjou-me uma razão para gastar uns dias e muitas coroas numas viagenzinhas a estocolmo ou a gotemburgo até ao consulado quando quiser ir votar? só para eu ter um descansozinho, será? obrigadinha. apanham uma pessoa desprevenida, nem sei o que dizer... até parece a outra vez com o referendo. espera... nesse nem indo ao consulado.
     
olha, bardamerda.

não há por aí nenhuma alminha amiga de ajudar (e de computadores)
que dê um jeitinho à embaixada portuguesa aqui na suécia?
aquele sítio faz pena.

14 setembro 2008

faltas


faltam-me dias de sol, birras, o zumbido da mosca que se refugiou comigo na escuridão, passear por ruas que me reconhecem, o cheiro das cozinhas fugido por janelas entreabertas, o não ter de encher o silêncio com palavras de etiqueta. falta-me que os convites que faço não obriguem a uma garrafa de vinho, a uma caixa de chocolates, a uma delicadeza. não quero ser crescida assim. quero cabelos desalinhados, almofadas no chão e meias com riscas. se o que peço em troca é nada, porque será tão difícil que mo dêem?

12 setembro 2008

chega-se ao mesmo tempo que a senhora que limpa os gabinetes e ela salta o nosso. eu já andava desconfiada...

01 setembro 2008

(ainda estou em estado de choque)



vou estar em lisboa nos primeiros dias disto!

29 agosto 2008

isto de se viver quase no pólo norte...

acabei de receber uma newsletter da tap a aliciar-me para experimentar um verão diferente, com sugestões de destinos. reacção imediata: isto anda mesmo atrasado. há que tempos que o verão acabou!
     
que triste que fiquei quando me apercebi que SÓ AQUI é que o verão já acabou...

21 agosto 2008


(a quem se esteja a interrogar: sim, já sei do nélson évora e sim, fiquei contente.
muito contente, mas muitíssimo menos do que ele. de certezinha.)

da choraminguice olímpica e outras tretas do género

recambiada para o topo do mundo - onde sobram árvores, lagos e escuridão -, tendo a deixar-me ir e confiar que qualquer grande mudança pela qual eventualmente o mundo passe acabará por me encontrar mais cedo ou mais tarde. meses de clausura seguidos por consumo frenético de jornais, revistas e demais parvoíces do género confirmaram-me já há algum tempo aquilo de que suspeitava: a maior parte do que se perde é barulho que não interessa a ninguém.

embora não faça grande esforço por me manter actualizada, isto não significa que faça o esforço contrário e feche os sentidos ao mundo. vou passando os olhos pelas gordas nos sítios de alguns jornais, pratico um pouquinho de sueco nos diários que se distribuem por karlstad e que acabam por decorar os assentos do autocarro (durante algum tempo ainda tentei o telejornal, mas depressa percebi que a seguir ao segundo cabecear já não estava a aproveitar nada e mais valia poupar o pescoço e ir para a cama), leio com mais ou menos atenção alguns blogues que aceitam espionagem do bicho rss.

nestes últimos deparo-me por vezes com uma convergência de interesses que alguns certamente considerariam cósmica (constou-me que aquela aldrabice d'o segredo também varreu terras lusas) e que eu prefiro atribuir à magia internética*. ultimamente o prato do dia tem sido a particupação portuguesa nos jogos olímpicos. ficaria encantada se toda esta discussão se tivesse gerado em relação ao país anfitrião, mas não. o grande problema não é a violação dos direitos humanos de milhões de pessoas em terras mais a leste, nem sequer a barracada da cerimónia de abertura e o que ela poderá indicar. o grande problema são as desculpas dos atletas portugueses quando não alcançam as medalhas que os grandes atletas de sofá já viam no horizonte - os mesmos atletas de sofá que já haviam de certo afiado a língua e treinado ao espelho aquele toma! de punho fechado a atingir com firmeza a palma da mão aberta ou mesmo, se as mais secretas esperanças (quase certezas) se confirmassem, um valente manguito a tudo e todos. ah!, afinal somos grandes.

goradas as expectativas, viram-se todos para os malvados dos atletas. aqueles mesmos que momentos após verem escapar-se em segundos as razões para dezenas de horas de treinos semanais, vidas sociais arruinadas, relatórios médicos medonhos antecipando velhice dolorosa e outras delícias do género, não conseguem esconder a desorientação e arranjar uma desculpa que seja de jeito. sim, porque uma desculpa todos querem. querem é que seja de jeito.

esgotadas as acusações aos atletas, apenas resta lamentar a triste sina, e mergulhar sem pudor no choradinho do país miserável em que vivemos! que nem nos jogos olímpicos. que ninguém vale um chavo. que até os atletas se esquivam. que só neste país. que grande par de estalos.

há poucas coisas que me arrancam reacção mais forte do que a moda d'o meu país é o pior de todos. é tão irracional quanto a d'o meu país é o melhor de todos, e creio que talvez ainda mais perigosa porque apela à inércia e ao cruzar de braços que o senhor do manguito tão bem caracteriza(va).

que se desenganem todos: os nossos atletas não são mais (ou menos?) do que os outros, nem sequer nas desculpas. o choradinho não é moda exclusiva portuga; não detemos patente. para chatear, vai aqui mais abaixo um recorte do metro sueco, correio dos leitores, de hoje:



tradução (muito) caseira:

atletas de topo escudam-se de responsabilidades na tv

inocentes. nós os suecos somos os mais inocentes/sem culpa/inimputáveis do mundo. se alguém não ganha nos jogos olímpicos a culpa é de outra coisa qualquer, seja lesões, doenças, os outros atletas ou os juízes. se choramos a culpa é dos meios de comunicação. os atletas têm sempre milhares de desculpas, como se vê na tv. admitir responsabilidade e reconhecer a fraca prestação e a superioridade dos vencedores não é cá com os suecos.

* esta da magia é engraçada,
mas fica para depois se me lembrar.