24 novembro 2009

faltas

alguém a quem perguntar se tenho o nariz limpo.

(mas tenho quem me ature às tantas da manhã quando estou completamente adrenalinada por ter andado a almofadar o candeeiro da mesa de cabeceira pensando que era um ladrão. abraços de longe também se sentem.)

06 novembro 2009

vou a caminho do sol.

05 novembro 2009

(confissões de emigrante)

vejam lá como isto anda que até achei o baixista da ágata muito bem-apessoado...

impressões

após 3 semanas com acesso à rtp internacional, eis o que aprendi:

. o malato é realmente irritante. nunca tinha passado tempo suficiente com a pessoa para me aperceber disso;

. a sílvia alberto já sabe dizer os éles. acho incrível, não percebo como é que se aprendem estas coisas;

. o joão baião devia usar calças do tamanho dele, parece-me que as que tem eram do irmão mais novo. mas gostei das cãs - subiu uns pontos por não as ter pintado;

. a judite de sousa está na crise de meia-idade. deve ser normal, mas é chato a dela ter de passar na televisão;

. a moça que fala com o marcelo rebelo de sousa todos os domingos (tento fixar o nome dela, mas escapa sempre), tem aquele ar de menina aplicada que quer mostrar que sabe antecipando o que o sôpessor vai dizer. dá-me cabo dos nervos aquele bbbbzzzzzzzzz, especialmente porque por vezes acerta e o marcelinho salta aquela parte - como o microfone dela não se ouve nessas alturas, fica uma pessoa a adivinhar, feita parva;

. a judite de sousa, mesmo em plena crise, com unhas douradas e sapatos à travesti (desculpem. é horrível dizer, mas não resisto), tem muito mais jeito para a coisa com o antónio vitorino. não teve foi jeitinho nenhum na entrevista com o antónio lobo antunes, mas isso é outra conversa*;

. o antónio lobo antunes fala da mesma maneira que aquelas pessoas muito fixes, muito fashion, muito acima de toda a gente falam - num tom condescendente, com uma paciência salpicada de exasperação pelo cansaço que é ter de explicar tudo, ao mesmo tempo que tenta a todo o custo passar uma imagem de calma e simplicidade. uma espécie de afectação zen, se me entendem;

. estou verdadeiramente emigrante. no outro dia deu um filme português que se passava ali para os meus lados - veio logo a lagriminha ao olho: ai, a praia de carcavelos, e paço de arcos, e aquilo é a cave do centro comercial de carcavelos (ah, mas foi gravado quando eu lá andava, como é que eu não dei por nada?), ai e os copos que eles estão a usar são iguais aos da minha mãe, e as matrículas dos carros, e as sombras das casas, e o raicoparta. estou perdida;

. alguém devia dar um dicionário de português e uma gramática (até pode ser como o acordo ortográfico manda, qualquer coisinha para começar) aos responsáveis pelo canal. tanto erro ortográfico nos anúncios de programas e agendas culturais e legendas. como é que têm a lata de passar aquilo do bom português se nem arrumam a própria casa?

. a acreditar nas comemorações dos 50 anos do telejornal, temos o melhor programa de informação do mundo. é mentira. (bate aos pontos o sueco, mas continua a ser miserável);

. estou a voltar a gostar de futebol à conta d'a liga dos últimos. e só vi um programa inteiro. claro que gosto é das pessoas, mas acho que continua a contar. não gosto dos comentadores. são paternalistas e irritam-me;

. a imagem que os emigrantes têm de portugal é datada e isso vê-se nos programas que passam. gostaria que os programas lhes levassem uma imagem mais verdadeira do país. mas isto é um querer igual ao outro querer que os programas que passam na televisão em geral nos tornem (espectadores) melhores e não que nós tornemos a tv pior;

. no domingo emparelharam o júlio isidro (é tão fixe, não é?) com uma menina que não conheço. na apresentação d'o programa das festas (sim, vi todinho. e ia morrendo porque aquilo passou-se na feira gastronómica de santarém e eu já não como nada que preste desde agosto). a moça até é engraçada e não fala mal e tudo, mas os dois juntos só se enterram. não combinam nadanadanadanada, aquilo foi atropelo atrás de atropelo. meteu dó;

. a outra moça do programa aqui de cima (outra que tento lembrar o nome e esqueço sempre - cristina qualquer coisa) fala como se estivesse a falar com meninos do infantário, mas curiosamente nem irrita muito. só me faz lembrar a serenela andrade. como me esqueço sempre do nome nunca consegui confirmar a suspeita. alguém ajuda?

. podia continuar, mas já estou a dizer muito mal duma só vez.

ao fim e ao cabo, gostei muito de ouvir a minha língua outra vez. e em muitas pronúncias e cores.


* aí fez papel de menina babada, mas não se concentrou o suficiente para realmente ouvir o que o homem dizia. parecia parvinha, embasbacada a olhar e aos risinhos (ela agora tem um bocado a mania do riso nervoso. devem-lhe ter dito que isso a tornava mais humana, menos jornalista dura. estão errados, não lhe deviam ter dito nada). a certa altura ele descreve uma das pessoas com quem uma vez esperava pela sessão de quimioterapia e diz que a tal pessoa trazia a gravata mais bonita do mundo, mesmo sem ter nenhuma gravata (era uma gravata de dignidade ou coisa que o valha) e a mulher pergunta-lhe se ainda se lembra da cor da gravata... que murro.

02 novembro 2009

antónio sérgio em repeat na radar é muito bom. e é muito triste.

31 outubro 2009

coisa sem interesse (ii)

eu ia colocar aqui umas fotos e um textozinho, à laia de diário; explicar que estou na alemanha até ao fim da semana (a trabalhar que nem um cão); que por cá há cerveja e pão (não se morre de fome, pode é morrer-se de enfartamento); e a paisagem é bonita; e as pessoas são simpáticas; e o café que bebi na república checa (num pardieiro a tresandar a tabaco) era excelente, mesmo sendo um balde dele; e e e e.

desisti. fartei-me de olhar para as minhas fotos e achar tudo desfocado e feio e que raio é que eu faço à máquina para sair tudo mal assim. não me apetece escrever mais.

e não é que alguém se importe...

hehehehe...

ateus de todo o mundo, uni-vos!

«As you may already be aware, recently the Atheist Founation [sic] of Australia and the Global Atheist Convention websites were the target of a significant DDoS (Distributed Denial of Service) attack, which began on Monday 19 October.

This is a call to all non-believers and advocates for freedom of speech to join us in a global co-ordinated minute of prayer with the aim of inundating God (in this context, the Christian god, God, as distinct from the Greek god, Zeus, the Egyptian god, Ra etc etc) with so many useless prayers that it causes his divineness to go offline as as result of our own DDOS ('Divine' Denial of Service).

The prayer minute will be at exactly 8pm (Eastern Standard Time) and 9am (Greenwich Mean Time) on Sunday 8 November 2009.»

ahaha!
muito agradecida ao sô m. pela gargalhada

coisa sem interesse

o meu maior incentivo para usar creme hidratante a seguir ao banho é saber que assim a minha bagagem pesará menos um bocadinho no sábado que vem.

calculo que, por cada aplicação de creme, posso acrescentar 5 a 10 folhas de papel à mala.

29 outubro 2009

26 outubro 2009

seguindo a corrente

eu não ia dizer nada acerca disto, mas já não consigo resistir mais tempo. tenho mesmo de meter a minha colherada no assunto.

assunto: maitê proença

vi o lindo vídeo uns tempos antes da polémica incendiar o país (isto parece mal escrito, mas é mesmo o que quero dizer: visto de fora, foi incêndio que deflagrou sem controlo). fiquei horrorizada; respirei fundo; olhei para a data daquela tristeza; encolhi os ombros perante a idiotia de algumas pessoas; e apaguei o mail onde me tinham enviado a ligação para o iutúbaro (tiro novamente o chapéu à genialidade do autor original desta linda tradução, que anda desaparecido há um porradão de tempo).

aquilo não tem ponta por onde se lhe pegue - e estou neste momento a dar o peito às balas. pelo que li por aí, parece que quem acha de mau gosto e sem piada é um desgraçadinho complexado com falta de sexo e problemas de infância. ficarei definitivamente marcada a ferro quente como uma portuguesinha triste, mas aquilo é fazer pouco da gente. terá piada num contexto pífio de tagarelice maldicente de comadres - o que parece ser o género de coisa que o programa da gnt é - daí eu nem ter ligado à coisa, por achar o programa tão insignificante. agora dizer que ahaha!, era a brincar e tal não dá para engolir.

é ofensivo.

mas este ser ofensivo não justifica o clamor de protestos que se seguiu - com gente a favor, gente contra, desculpas públicas, recolha de assinaturas para sei lá o quê, e maismaismais - exactamente pela pobreza de espírito dos ataques e pelo contexto em que foram feitos (em plena incapacidade de discernimento, consequência directa do programa onde passou a peça). não interessa.

a sério, interessa mesmo a alguém o que um grupo de araras cinquentonas poderá dizer ou deixar de dizer numa sessão de cusquice, mesmo que televizada?