ora bem, teria feito melhor figura se tivesse ficado caladinha com isto da irritação aqui abaixo...
sexo: "1. diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. 2. conjunto de indivíduos que têm o mesmo sexo. (...)"
género: "(...) 12. propriedade de algumas classes de palavras, nomeadamente substantivos e adjectivos, que apresentam contrastes de masculino, feminino e por vezes neutro, que podem corresponder a distinções baseadas nas diferenças de sexo. 13. Conjunto de propriedades atribuídas social e culturalmente em relação ao sexo dos indivíduos."
já tenho práqui uma data de entradas com coisas que me irritam (eu sou bastante irritável), mas não tenho etiquetas nem estou para procurar agora. vai mais uma. e fica a vontade de arrumar esta casa direitinha (não é bem vontade, nem sei que lhe chame). bom, 'bora lá à irritação:
pessoas e animais têm sexo, palavras têm género. percebido? esta coisa de traduzir gender issues por coisos de género não me convence. coisos de sexo também não fica bem, concordo. não sei que faça. se calhar isto nem é irritação, é ignorância. seja, também tenho direito.
andei a fazer uma espécie de guia de lisboa para uns professores daqui que vão de visita para a semana e têm um dia de passeio. escrevi muito, muito mais do que o que eles conseguem fazer num mísero dia, e do muito que escrevi a maior parte era acerca de comida.
isto é muito azedume logo pela manhã, mas tenho de me livrar dele antes que me estrague o dia. alguém me explica porque é que queques passaram a ser muffins e muffins passaram a ser cupcakes? nunca percebi. irrita-me.
e agora vou enterrar-me no laboratório. adeuzinho.
tenho aperfeiçoado de tal maneira as minhas qualidades de procrastinadora que me parece que se me dessem um daqueles trabalhos-tortura para obrigar um trabalhador a despedir-se sem indemnização (aqueles do toma lá mil milhões de notas por mês, um gabinete e nenhum trabalho) era capaz de me safar bem. que miséria.
sempre que vejo erros ortográficos em páginas e blogues e assim (á em vez de à ou à em vez de há ou ininputável em vez de inimputável ou à descrição em vez de à discrição* ou ou ou) sinto uma vontade quase incontrolável de deixar um comentário com uma correcção (simpática se achar o sítio fixe, mais ácida se aquilo me der volta ao estômago - sou um bocado torcida). ou então penso em enviar um mail curtinho com a dica (o que implicaria desvendar o meu email pessoal ou criar um de propósito para estas coisas). normalmente desisto e não faço nada, mas fico a remoer a coisa por um bocado. não sei como é que as pessoas reagiriam com um desconhecido a apontar o dedo assim à descarada.
se virem algum destes erros por aqui, ou outros piores, agradeço que me avisem. eu não mordo muito.
*esta não se vê muito nestas coisas da rede, mas chateia-me. nestes casos, quando tenho os erros na mão, pego na caneta e corrijo. cobardias.
hoje tinha um envelopezinho à minha espera quando cheguei a casa. tudo direitinho, selo branco e assim. já vou poder votar daqui destas terras frias. espero que me chegue o boletim de voto a casa ou vou enviar a conta do comboio, estadia e dia de trabalho perdido à comissão nacional de eleições (acho que eles já estão com medo porque o sítio nem abre).
li isto e comecei a ferver por dentro, acho até que me começou a escorrer uma gota (de suor? de sangue?) testa abaixo; mas depois li isto aqui e acalmei um bocadinho.
aqui em baixo escrevi menina e coninhas e mariquinhas e hesitei em carregar no botão para publicar. será necessário sanear as palavras? quem me conhece sabe o que quero dizer, nunca pensariam que por trás destas palavras se escondessem homofobices ou anti-feminismos. nunca. também atiro credos e mães do céu a torto e a direito e ultimamente pouco me tem irritado mais do que a religião. não gosto de saneamentos de palavras. não gosto dos politicamente correctos. não gosto de sinais de aspas feitos com os dedos. não gosto de sinais inventados que não são precisos. não gosto que se percam palavras por não se querer saber o que significam. vou dormir.
isto do blogue nunca pegou realmente. não digo em relação àquela coisa das visitas e sou a maior e toda a gente me adora e tal. isso não me interessa. digo comigo. comigo nunca pegou. e daí a constante ausência de palavras, embora a palavra seja tudo. de vez em quando vou na rua e vejo qualquer coisa engraçada que gostava de fotografar ou penso numa merda qualquer e acho que é um espanto e tão original e mais não sei quê, ai que pena se eu não disser ao mundo isto tão espectacular que agora me aconteceu. mas é só naquele instante, a ilusão da grandeza desaparece logo. a única coisa que acaba por realmente me chatear é saber que muito provavelmente perderei aquele momento. deixei de ter cadernos de retalhos que mais tarde sirvam de máquina do tempo (ou melhor, deixei-me de guardar retalhos; ainda compro compulsivamente os cadernos onde os guardar) e no início desta brincadeira ainda me enganei achando que o blogue também serviria para isso.
no entanto, o que mais me dói nem é isso. isso é merda, se eu quiser realmente guardar momentos na memória arranjo maneira. não é a falta de blogue que me obriga a esquecer. o que me chateia é esta coisa da fragmentação. claro que temos todos muitas faces e que as mostramos ou ocultamos constantemente regidos por critérios que nem a nós próprios revelamos. o meu problema é que por vezes releio o que escrevi por aqui ou o que coloquei e odeio. odeio-me. se fosse uma coisa de um desconhecido nunca mais lá voltaria e muito provavelmente fecharia o separador com um trejeito do lábio superior esquerdo num misto de arrogância e desprezo. não é estranho, não gostar assim duma parte de nós? claro que isto são imagens redutoras, não digo que me odeie. é aquele bocado de mim, que aparece assim a nu, isolado do resto, desfolhado do que lhe dá significado, que eu odeio. talvez porque num qualquer plano me envergonhe - ou por saber que por momentos sou daquela maneira, mesmo não querendo, ou porque a distância entre isto que eu sou aqui, neste sítio onde estou de carne e osso e tudo, não é, nunca poderá ser, aquilo que as palavras/imagens/vídeos que por azar escolhi partilhar mostram. talvez seja isso, a injustiça da coisa, que me chateia.
isto tudo para justificar a minha necessidade constante de aperfeiçoamento e/ou o esporádico desaparecimento de publicações. sou uma menina.*
* não quero dizer uma menina no sentido de identidade sexual ou assim; quero dizer coninhas, mariquinhas, isso.
é que eu até me estou mais ou menos a cagar para a roupa (e escrevi "roupa linda"? credo...). porque é que não me dá para limpar em vez disto? dava-me um jeitão.
mas neste momento o que não me sai da cabeça é isto:
se não emagreço não caibo na minha roupa linda de inverno (e nalguma de verão de há tanto tempo); se emagreço fico a boiar na roupa linda que agora me serve.
já me preocupava era com os gráficos que não estão prontos e que tenho de apresentar amanhã...
b fachada dá-me cabo dos nervos. e está sempre a passar na radar (assim como passam outras merdas sem jeito mas menos de furar os tímpanos à unhada) por isso já não posso ter aquela treta em ribeirinho* o que me dá um trabalhão - ter de andar a pensar no que pôr a tocar e tal é chato. mas tenho spotify aqui pelas neves. um luxo.
hoje vi escrito "detetem" num sítio qualquer e demorei cinco minutos até conseguir perceber o que era. vou ser velha e teimosa e continuar a escrever à antiga (que até nem é tão à antiga assim) enquanto me lembrar como é e não misturar tudo, mas mesmo assim esta coisa do novo acordo ortográfico vai custar-me muito.
if you go down in the woods today you're sure of a big surprise. if you go down in the woods today you'd better go in disguise.
for ev'ry bear that ever there was will gather there for certain, because today's the day the teddy bears have their picnic.
ev'ry teddy bear who's been good is sure of a treat today. there's lots of marvelous things to eat and wonderful games to play.
beneath the trees where nobody sees they'll hide and seek as long as they please that's the way the teddy bears have their picnic.
picnic time for teddy bears the little teddy bears are having a lovely time today watch them, catch them unawares and see them picnic on their holiday.
see them gaily gad about they love to play and shout; they never have any cares;
at six o'clock their mummies and daddies will take them home to bed, because they're tired little teddy bears.
if you go down in the woods today you'd better not go alone. it's lovely down in the woods today but safer to stay at home.
for ev'ry bear that ever there was will gather there for certain, because today's the day the teddy bears have their picnic.
apareceu-me uma borbulha na ponta do nariz. pequenina, mas vermelha e irritante. juntando a isso as manchas - agora quase nódoas negras - que os terríveis mosquitos suecos me deixaram nas pernas no sábado passado (tenho 21 manchas na perna direita; na esquerda não contei) e que não me têm deixado dormir, o meu dia de ontem foi lindo.
(eu não devia contar isto - porque me envergonha e porque muito facilmente passaria despercebido -, mas tenho de me rir com alguém:
escrevi "cavaco de silva" na coisa ali mais abaixo! e cheguei a publicar e tudo, sem reparar na enormidade. eu achava que era só na fala que isto andava entaramelado, mas parece que a escrever é a mesma merda...)
portugal foi notícia por dois dias seguidos num dos jornais de referência suecos. ontem foram duas páginas inteiras acerca do novo pacote de medidas anti-crise. hoje uma página inteira acerca do sim (tirado a ferros...) de cavaco silva à alteração da lei do casamento.
aparte 1: espreitei os tune-yards e achei muito bom, mas continuo apanhadíssima por estes aqui em cima. obrigada pelos dois, sô jq.
aparte 2: desta vez não desanquei em ninguém, meu caro borboto... quero responder-te, mas tenho andado num rodopio e ainda não consegui.
tenho de ir que já estou atrasada.
(os chinelos são umas socas birkenstock que foram um dos primeiros sinais da minha aproximação à quarta década de vida: são o meu segundo par. igualzinho ao primeiro. já não me renovo.)
desde ontem que está por aqui um calor desgraçado - não quero saber dos 1000 graus à sombra que estavam ontem em lisboa, hoje foi o primeiro dia em que não agarrei no meu cachecol maravilha de manhã*. e passei directamente para a versão chinelos e manga-curta! estou contente, mas sinto os tornozelos nus porque não consegui encontrar as minhas pulseiras.
a feira do livro de lisboa começou há uns dias e eu não vou lá. é o terceiro ano consecutivo que me baldo e, embora a minha carteira respire de alívio, eu roo-me todinha por dentro e por fora com as saudades de carregar toneladas de palavras parque eduardo vii acima (e abaixo).
num anúncio que já não está disponível procuram-se (procuravam-se?) pessoas entre os 18 e os 50 anos para receber o papa de t-shirt e bandeirinha na mão. e parece que a brincadeira ainda rende uns trocos para a cerveja (uns €17,50). querem 100 figurantes. alguém se atreve?
eu sugiro uma granada de preservativos escondidos na baínha da t-shirt alusiva ao acontecimento, lançados ao ar nalgum momento mais emotivo. este outro movimento agradece, parece-me.
é a mistura de pó, café a torrar da torre da löfbergs lila, óleo queimado das linhas dos comboios da estação e sei lá que mais coisas lindas cheirar igualzinho a peixe-espada grelhado. isto às 7h20 enquanto se atravessa o túnel do medo aqui da aldeia. sou triste.
No dia 22 de Abril, vamos juntar-nos nos Restauradores, para enviar uma carta ao Primeiro Ministro, a explicar-lhe porque é que é um erro crasso privatizar os CTT. Traz a tua carta escrita e endereçada e vem ter connosco em frente à estação dos Restauradores.