13 julho 2011

[suspiro]



acordas todas as manhãs com um aperto no peito
não consegues comer, engoles o café, apanhas o autocarro para o trabalho
horas longas e chatas, tarefas sem sentido
ninguém se toca, olhares vazios
conversas ocas e risos falsos
mas habituas-te
habituas-te

e o trabalho que fazes não te diz nada
são outros que se aproveitam dele
e nem sabes quem são
mudas papéis de sítio, puxas as alavancas certas
ganhas o teu
e é parvo e idiota
mas habituas-te
habituas-te

quando chegas a casa à noite
vês que te esqueceste de fechar a janela
e está a janela cheia de porcaria, gases de tubos de escape enchem a sala
esqueceste-te de comprar comida
mas nem sequer tens vontade de comer, obrigas-te a engolir um pedaço de pão
habituas-te
habituas-te

tomas umas aspirinas por causa da cabeça que lateja, estupidificas em frente à televisão
o vizinho vai à casa-de-banho e os canos lamentam-se
estás cansado e vais deitar-te
e o vizinho discute com a mulher, e o tráfico não pára
é impossível dormir
mas habituas-te
habituas-te

os lençóis asfixiam-te e ficam molhados do suor
e as horas nocturnas são como elásticos
enquanto esperas pelo sono
toca o despertador
foda-se, que dor, nem vontade de te lavar tens
bebes o café frio de ontem
e lá fora está frio e escuro e húmido e enevoado
mas habituas-te
habituas-te

mesmo assim sexta-feira chega, e embebedas-te completamente
e no sábado vais até ao jardim, dás-te ao luxo de uma pizza
e à noite chega o choro
é bom abandonares-te ao desespero
finalmente sentes-te real
compras pornografia na máquina
vais para casa e masturbas-te
e é indescritivelmente triste
mas habituas-te
tens de te habituar.


qualquer dia melhoro a tradução, hoje não consigo mais.


08 julho 2011

pergunta

como é que se condensam 2 semanas de trabalho em 4 dias?

(resposta: desliga-se o cabo de rede)

07 julho 2011

a crise, do ponto de vista dos teclados

sempre achei mau sinal os teclados não terem o símbolo do euro lá no cantinho inferior direito da tecla 5.

06 julho 2011

coisas parvas na suécia

só podes marcar consultas no centro de saúde por telefone - falas com uma enfermeira (ou enfermeiro ou o que for) que avalia o caso e decide se vale a pena ver-te ao vivo. se achar que sim fazes-lhe uma visitinha e daí podes ou não ser reencaminhado para um médico (ou médica. isto está a cansar-me). só se pode ligar entre as 8:00 e as 9:30 e entre as 13:00 e as 14:30. a cena gira é que há semanas (meses?) que há um aviso na página do centro de saúde acerca dum erro no sistema telefónico que eles usam - mesmo não estando ninguém em espera, aparece-te um senhor que diz que a fila está cheia e que deves tentar mais tarde. e desliga-te a chamada. ligas de novo e é igual. de novo e é igual. de novo igual. denovoigual. denovoigual. denov... é bonito.

ando nisto há 3 semanas. já liguei para o centro de apoio e falei com a gente de lá. já liguei para um número de emergência e falei com uma enfermeira de lá. tente outra vez. vá tentando. tente mais tarde. hoje fui à recepção do centro de saúde e fiz a chamada enquanto estava no átrio da entrada. sempre a mesma conversa. blabla fila cheia blabla tente mais tarde plim!

explica-se a situação na recepção e a resposta é (surpresa) tente outra vez, vá tentando, tente mais tarde, eu aqui não posso fazer nada. e pergunto: como é que andam com este problema há tanto tempo e a vossa única solução é esta? não há alternativa? eu não estou praqui a morrer (espero), mas isto é ridículo. pois. tente outra vez, vá tentando, tente mais tarde, eu aqui não posso fazer nada.

estalo.

04 julho 2011

embirrações

esta coisa da crise e tal só me dá problemas. de um momento para outro as coisas "em conta" ou "económicas" passaram a pulular pela rede e volta e meia aparecem-me em textos sem razão aparente. é só porque está na moda ser-se poupadinho. e eu até acho bem! aliás, consigo ser muito forreta - a parte de não ter muito dinheiro ou perspectivas de emprego daqui a 13 meses ajuda. agora, agradecia era que não reduzissem tudo o que é tema a economias e em contas. são expressões muito feias e fazem-me estremecer da mesma maneira que unhas em quadros de ardósia dão cabo dos nervos a muita gente.

(humm, li isto aqui há dias. uma coisa mais a sério, que comigo a embirração de momento é só estética)
acho isto muito perigoso.

27 junho 2011

23 junho 2011

se não fosse o longe eu ia

truque

pãezinhos para cachorros-quentes disfarçam-se bem de pão de leite.

[faltam 21 dias]
it's like he wants to own me from the inside out.

ahaha!

quero ser assim

At noon on a spring day in Paris some years ago, an old motor truck broke down in the center of the Place de l’Opéra, requiring the driver to spend a half hour under it to make the repair. After apologizing for the trouble he had caused the policemen who had been directing the traffic around him, the truckman drove away — to collect several thousand dollars from friends who had bet that he could not lie on his back for 30 minutes at the busiest hour in the middle of the busiest street in Paris. He was Horace De Vere Cole, England’s celebrated practical joker.

Collier’s, 1948

daqui

21 junho 2011

apontamento

tenho o café numa caneca da tieto.com

a minha vida é muito triste

isto anda de tal forma que eu ontem dei por mim a ver a bachelorette (i.e. a solteirona) só porque se lembraram de passear a moça e os 5 pretendentes por portugal. lisboa, óbidos, sintra e um sítio não identificado algures no alentejo. ficaram no pestana palace e tiveram direito a jantar sozinhinhos no palácio da pena. luxo. acho que ainda vislumbrei as luzes do aeródromo lá muito ao longe - quase como ir num pulinho a casa, o chato foi ninguém ter ido à porta.

sol, céu azul, tudo perfeito, mas claro que na altura da eliminação tinha de estar escuro e a chover, para a moça não fazer figura de vilã e poder despedir-se a escorrer água e remorso. diogo, foste tu?

20 junho 2011

roubado

«Na tradição política portuguesa há três tipos de esquerda: as que são muito de esquerda e querem fazer a revolução, as que só são um bocadinho de esquerda e consideram governar em parceria e as que já não são de esquerda. Ah, claro, disparate, estas não contam.

Na tradição política portuguesa há portanto dois tipos de esquerda: as que são muito de esquerda e querem fazer a revolução e as que só são um bocadinho de esquerda e consideram governar. Mas, no caso destas últimas, não só não se nota qualquer avanço neste sentido como Daniel Oliveira escreveu no Expresso que ninguém deve governar se não tiver experiência de governo, o que claramente explicita que governar é coisa para gente do centro-direita, e com currículo. Resulta portanto que este tipo não só não conta como não existe.

Logo, na tradição política portuguesa há apenas um tipo de esquerda: a que quer fazer uma revolução. No entanto, olhando bem para eles, nenhum dos partidos de esquerda portugueses quer fazer uma revolução. Levam o determinismo histórico muito a sério e assumem a preparação para a revolução um pouco como a preparação para o juízo final - vamos mantendo a alma pura e depois logo se vê. Pelo que estes também não contam.

Com tudo isto ando a sentir-me um pouco orfã. O que vale é que, pelo menos nos romances de cordel, a orfandade é meio caminho andado para uma história de amor escaldante. Venha ela.»

14 junho 2011

toque

«(...) Há tempos tive de falar com um rapaz de 11 ½ anos, que preocupava a família. Os rapazes de 11 ½ são hoje, vinte anos depois, o equivalente do Adrian Mole quando tinha 13 ½. Este tinha revelado um conjunto de pequenos desajustamentos sociais que foram desvalorizados, até que se percebeu que uma má nota a Português fora devida a não ter respondido à alínea de composição, cotada em 6 vals. Mais precisamente, ele respondera. O tema era: “Qual foi a melhor coisa que te aconteceu nas férias?” E ele escreveu:- Não me lembro. A professora alarmou-se e chamou a família, que tinha tentado organizar umas excitantes férias juvenis. Acharam que tinha chegado a hora do rapaz falar com alguém que percebesse se havia algo de errado. Falámos então, durante algum tempo. Geralmente, em contextos formais, não tenho dificuldade em falar com os rapazes. As raparigas são , em regra, mais inteligentes e sofisticadas. Os rapazes são tímidos e broncos numa primeira abordagem. Mas depois, sobretudo aos 11 ½, são o género humano no que ele tem de melhor- uma mistura bruta de sentimentos confusos, uma possibilidade de êxito. Falamos de raparigas. É um tema que me é vedado, dado trabalhar e viver entre mulheres. Os rapazes de 11 ½ sabem tanto de raparigas como eu. Entendemo-nos. Podíamos falar do drama do universo ser finito ou infinito, de ser a crença na igualdade que separa a esquerda da direita, do gato de Shroendinger. Falamos de mulheres, ou de raparigas, que são os seres mais parecidos com as mulheres. É o tipo de assunto em que, apesar da diferença de idades e estatutos, rapidamente nos revelamos ignorantes e especialistas. Este rapaz começou por não se mostrar muito entusiasmado. –Ó , as raparigas! - julgo que foi o que exclamou. Como quem diz”Ó, a física quântica” ou “Ó , o Sporting”. Mas depois animou-se. Disse-me que havia na turma um rapaz particularmente atrevido com as raparigas, capaz de , nas palavras dele, lhes pedir o telefone nos primeiros contactos.- E tu, não gostava de ser capaz?- interrompi-o. Ele sorriu, primeiro para dentro e depois para fora, fez uma pausa e depois disse-me, como se tivesse percebido naquele preciso momento: - O problema é se elas me davam.»

09 junho 2011

(parêntesis)

alguém me explica porque é que este desgraçado é sempre referido como "gê pê simões"? deve ser mania dele, duvido que toda a gente da rádio seja burra. aquilo é um JOTA! um gê é isto: G. será que nunca ninguém lhe disse?