na segunda-feira tirei as luvas do armário pela primeira vez, mas só as usei durante uns segundos. o gorro continua guardado. o sobretudo de inverno (aka edredão-ambulante) começa agora a substituir o casaco de feltro vermelho. admito que já o tinha usado 2 vezes, mas foram momentos de fraqueza ou loucura momentânea que paguei caro com suor escorrendo pela testa. só ontem troquei as socas pelas botas. hoje, finalmente!, cai uma poeirazinha de neve que se derrete quase imediatamente assim que toca o mundo. estamos no natal e nunca mais é inverno.
07 dezembro 2011
02 dezembro 2011
há uma lisboa que é cada vez menos minha e eu morro de saudades
«(...) mete[u]
a mão e conseguiu estragar a única zona de lisboa que continuva
genuína, onde os copos eram baratos e a música sempre a abrir. na porta
ao lado, uma esplanada onde uma loira platinada, casaco de peles
vestido, pinta os lábios. devolvam-me as ruas com as putas gordas, de
lycra justa e banhas a saltar pelo cós, as putas mal fodidas,
desconjuntadas, sem dentes. no americano a música está demasiado alta,
mas é tão bom, a companhia, não a música, que ninguém se importa de
estar aos berros para se fazer ouvir. e o cansaço da semana, de
carregar o mundo às costas há demasiado tempo, pede mais cerveja e
muitos passos de dança. o tóquio parece uma matiné dançante para as
mulheres da ala geriátrica e gozamos com elas, mas há a hipótese de
aquelas sermos nós daqui a 30 anos, nós sem saber envelhecer, mas não,
aquilo é mau demais. o que interessa são as músicas do costume e o
pensamento de que só me faltava ter-te ali para te levar para casa.
danço até passar da hora, mas agora
no novo cais do sodré já não se cumprem horários e a janis já não se
cala quando batem as quatro. preciso de dormir, dormir um mês inteiro
de preferência, e saio para o frio e para o cais que conheço, os bêbados aos
caídos, os putos mal vestidos, as putas nas esquinas, a rua sem um
centímetro de espaço livre. na cabeça um apito interminável e uma névoa
de álcool. amanhã vou estar de ressaca.»
01 dezembro 2011
uma coisa parva que me diverte
é chegar à universidade a estas lindas horas e armar-me em ninja para ver se engano os sensores que ligam as luzes dos corredores enquanto vou buscar café.
hoje preguei um susto à senhora da limpeza quando emergi das trevas.
30 novembro 2011
ando pelo norte há demasiado tempo xiii
mesa para as 18h é jantar e não lanche.
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ando pelo norte há demasiado tempo xii
no supermercado, ponho as coisas na passadeira com os códigos de barras bem-comportadinhos virados para o sensor. ainda não cheguei ao extremo de pôr tudo em fila indiana porque continuo a achar um desperdício de espaço, mas mais uns mesinhos e talvez lá chegue.
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29 novembro 2011
18 novembro 2011
17 novembro 2011
16 novembro 2011
histórias de crianças
uns colegas daqui do departamento contaram-me estas histórias bonitas que se passaram com os filhos e não me quero esquecer delas:
a meio de uma viagem de carro, a filha de 7 anos vira-se para o pai e diz-lhe:
-olha, pai! estás a ver aquele cruzamento ali ao fundo? é o futuro.
enquanto a curiosidade das crianças não esmorece, explicar coisas complicadas é mais fácil. como a gravidade a miúdos de 3 ou 4 anos:
- caiu-te o gelado ao chão? é a gravidade, filho. sabes, tudo no mundo está sempre a cair.
- não é nada! os balões sobem.
14 novembro 2011
dói-me tudo
dói-me isto e isto e isto e mais uma data de istos que me enchem a cabeça e apertam cá dentro, tanto que dois comprimidos pretos daquela raiz de acalmar só me chegam para duas horas de sono. tal como a ela, estas ideias parecem-me cada vez mais bonitas.
se é assim a tantos mil quilómetros de distância, como será para quem está por aí, no sítio mais bonito do mundo?
08 novembro 2011
07 novembro 2011
04 novembro 2011
31 outubro 2011
27 outubro 2011
ando pelo norte há demasiado tempo xi
e de batatas cozidas.
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ando pelo norte há demasiado tempo x
reparei no outro dia que gosto de salmão.
[correcção: afinal continuo a não gostar de salmão - só do (bem) fumado, como o do sítio ali de cima. hoje ao almoço ia despejando bolo alimentar no prato, mesmo em frente a um sô professor aqui do grupo e outra gente importante.]
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