hoje fui ver a previsão para os dias que vou passar no meu país-maravilha:
a sério que não é verão por aí?
(eu sei que vou morrer de frio na mesma, morro sempre. são as saudades que se me entranham nos ossos)
acordas todas as manhãs com um aperto no peito
não consegues comer, engoles o café, apanhas o autocarro para o trabalho
horas longas e chatas, tarefas sem sentido
ninguém se toca, olhares vazios
conversas ocas e risos falsos
mas habituas-te
habituas-te
e o trabalho que fazes não te diz nada
são outros que se aproveitam dele
e nem sabes quem são
mudas papéis de sítio, puxas as alavancas certas
ganhas o teu
e é parvo e idiota
mas habituas-te
habituas-te
quando chegas a casa à noite
vês que te esqueceste de fechar a janela
e está a janela cheia de porcaria, gases de tubos de escape enchem a sala
esqueceste-te de comprar comida
mas nem sequer tens vontade de comer, obrigas-te a engolir um pedaço de pão
habituas-te
habituas-te
tomas umas aspirinas por causa da cabeça que lateja, estupidificas em frente à televisão
o vizinho vai à casa-de-banho e os canos lamentam-se
estás cansado e vais deitar-te
e o vizinho discute com a mulher, e o tráfico não pára
é impossível dormir
mas habituas-te
habituas-te
os lençóis asfixiam-te e ficam molhados do suor
e as horas nocturnas são como elásticos
enquanto esperas pelo sono
toca o despertador
foda-se, que dor, nem vontade de te lavar tens
bebes o café frio de ontem
e lá fora está frio e escuro e húmido e enevoado
mas habituas-te
habituas-te
mesmo assim sexta-feira chega, e embebedas-te completamente
e no sábado vais até ao jardim, dás-te ao luxo de uma pizza
e à noite chega o choro
é bom abandonares-te ao desespero
finalmente sentes-te real
compras pornografia na máquina
vais para casa e masturbas-te
e é indescritivelmente triste
mas habituas-te
tens de te habituar.
qualquer dia melhoro a tradução, hoje não consigo mais.
At noon on a spring day in Paris some years ago, an old motor truck broke down in the center of the Place de l’Opéra, requiring the driver to spend a half hour under it to make the repair. After apologizing for the trouble he had caused the policemen who had been directing the traffic around him, the truckman drove away — to collect several thousand dollars from friends who had bet that he could not lie on his back for 30 minutes at the busiest hour in the middle of the busiest street in Paris. He was Horace De Vere Cole, England’s celebrated practical joker.
– Collier’s, 1948