29 agosto 2006

mandar tudo às urtigas


contrariamente aos boatos que por aí correm, este blogue (ainda) não foi mandado às urtigas. que me desculpem as inúmeras alminhas que já davam pulos de contentamento, mas continuarei a chagar o juízo a todos quantos por aqui passem pelo menos até março do próximo ano. não pensem por isto que este é já um blogue condenado, março de 2007 não é encontro marcado com as urtigas. o "pelo menos" é para levar a sério e tudo dependerá das condições internéticas (e níveis de preguicite, tenho de admitir) da altura.

e agora uma explicaçãozita (que alguém chamaria desculpa esfarrapada) para a borga desenfreada que as aranhas fariam por aqui, se existissem aranhas neste universo blogueiro e o blogspot admitisse cantos jeitosos para colocar umas teias:

3 razões justificam este abandono.

a primeira é a natureza do blogue em si. foi criado tão somente para relatar impressões, experiências, lamentos, gargalhadas e desesperos duma portuguesa (aham.... eu) perdida por terras suecas. não estou na suécia, vou contar o quê?

a segunda é mais técnica. a ligação de internet na minha casa não é das melhores. e o computador dá-me cabo dos nervos por que é leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeento e isso é chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaato e coloca-me num tal estado de exasperação que são precisos muitos cházinhos de tília para me acalmar - isso ou umas horas de televisão pública para adormecer a mente (sabem que passados uns tempos a floribella até arranca um sorriso e se passa a achar o enredo dos morangos com açúcar interessante e bastante educativo? têm-me dito, eu não sei nada disso...).

a terceira acaba por ser a mais verdadeira: sou preguosa como tudo.

tudo esclarecido?

agora, para terminar com uma nota de esperança, tenho a dizer que nestes próximos dias talvez apareçam por aqui umas fotos e tal a desvendar o mistério dos últimos dois meses. é que vou ter de estudar para o que será (com muitas figas e deusnossosenhormajude) o meu último exame e isso é forte incentivo para ligar o computador à net da faculdade e navegar por aí...

beijinhos, meus queridos.
até uma próxima oportunidade.

06 julho 2006

05 julho 2006

actualização

queria pôr aqui uma actualização toda fixe, a contar o que andei a fazer nestas duas semanas e cheia de fotos espantosas e frases inspiradas (e inspiradoras), mas a verdade é que nem o computador nem os dedos se sentem com vontade de me ajudar nessa tarefa.

o computador porque, 'tadinho, está velho e cansado - só com vontade de se sentar junto a outros computadores velhos e cansados a discutir vírus e antivírus e panaceias várias. colocar fotos pesadonas na internet não é coisa para ele e nem com falinhas mansas lá vou.

os dedos porque pertencem a gente preguiçosa (é sempre bom generalizar quando se parte para insultos - dá um ar de distanciamento que por momentos consegue suavizar o ataque) e se recusam a teclar como deve ser as palavras que querem sair para contar tudo a toda a gente.

resumo:
durante uma semana fingi estar de férias na suécia com 3 meninas que resolveram ir gozar o sol sueco comigo. a chuva decidiu aparecer também e dar cabo das 22 horas de luz por dia da altura. mas foi giro.

agora voltei. até setembro. terei tempo de me fartar?

terras portuguesas infestadas de futebol - sou só eu ou há mais alguém enjoado com isto? hoje estive 40 min a ver o telejornal e não falaram de mais nada a não ser da selecção, das mulheres dos jogadores da selecção, do seleccionador, do que os franceses acham dos jogadores da selecção, do que o zé da esquina acha acerca da selecção, do que o vizinho do zé da esquina acha do que o zé da esquina acha acerca da selecção. fartei-me e desliguei a televisão. não me pareceu que o tom fosse mudar - ainda haverá maneira de se saber o que acontece pelo mundo fora? e pelo país? passa uma pessoa 3 meses a tentar decifrar as notícias em sueco (inventam-se umas histórias engraçadas só à conta das imagens) e quando se chega é esta tristeza. não há pachorra. o meu desejo secreto era que a selecção tivesse perdido logo ao princípio, mas se digo isto em voz alta parece sacrilégio e ainda me batem. MAIS VALIA QUE TIVESSEM PERDIDO LOGO NO INÍCIO DO MUNDIAL. bah.

mas também já respirei fundo. vagueei por lisboa. e comi gelados no santini. e travesseiros de sintra (ainda me faltam os pastéis de belém, mas lá chegarei). e já disse mal do trânsito. e dos autocarros não chegarem a horas. e das bandeiras espalhadas por aí (isto não me larga...). e disse bem das pessoas serem simpáticas ou antipáticas nas lojas, consoante são pessoas simpáticas ou antipáticas. e já fui comprar fruta ao mercado. e já comi peixe fresco de jeito. e é tudo muito fixe. estava cheia de saudades e descobri que posso estar descansada porque não andei a mentir pela escandinávia: portugal é muito melhor.

acho que não tenho tempo de me fartar, não. nem mesmo com a ajuda do futebol.

descrição mais cuidada numa próxima oportunidade. e fotos. e mais coisas. e ainda me falta ir à praia - a dois passos de casa e sempre que lá passo sinto ganas de me atirar do pontão direitinha à água.

amanhã :o)

15 junho 2006

hahahahaha

(dia 2 já estou em portugal)


obrigada, claudjinha. não fiques triste.

mais coisas aqui.

13 junho 2006

martírio

amanhã.
a tal reunião.
ai.
ai (outra vez).
aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai...

tanta água

domingo apanhei um escaldão. na suécia!


no maior lago da suécia, o terceiro maior da europa. estava sol e vento e havia muita água. parece um mar. carreguem na imagem se quiserem saber mais.


foi um dia bom. estes têm sido dias bons :o)

örebro

no sábado fui passear até örebro. é uma cidade maior que karlstad e parece mais pequena. mas tem uma portuguesa a morar lá.

foi muito bom falar português durante um dia inteiro :o) pode parecer estranho, mas faz tanta falta! fogem-me as palavras com o tempo e parece que cheguei a um país estranho quando tento falar português novamente.

esta portuguesa, ana paula, tem andado a saltitar de país em país e por cá encontrou qualquer coisa que a fez ficar. diz que o verão da escandinávia é o melhor verão do mundo, que a escuridão do inverno só se aguenta se não se desperdiçar nenhum raio de sol durante os dias de calor, e gosta tanto disto por cá que me picou o orgulho e fiquei cheia de vontade de dizer mal dos suecos - ainda mais do que o normal. hehe!


durante o dia todo andámos muito. passeámos pela cidade, espreitámos todas as barraquinhas da feira medieval, comemos pão com mel e cardamomo feito numa chapa quente, fomos até uma zona cheia de patos, gansos e vacas - que ela me disse que tinha sido criada há uns anos de propósito para chamar as aves (parece que as vacas estão lá para equilibrar o ecossistema).

o ponto alto do dia foi o jantar. sardinhas assadas! faz-me tanta falta comer peixe. já vos disse que por cá é só salmão e douradinhos? :o( uma miséria.

foi um dia muito bom.

gymnasiet

quando aqui se acaba a escola secundária, há sempre uma grande festa. cortejo pela cidade em jeito de parada. meninos e meninas de chapéu de marinheiro na cabeça (ninguém me soube explicar donde vem este modelo), passeiam-se em veículos* enfeitados a acenar à multidão - pais, avós, tias e tios, todos babados e satisfeitos com os meninos e com as meninas que já são crescidos. invariavelmente trazem uns cartazes com as fotos dos rebentos ainda em idade de fraldas, o nome e o ano em que estão a terminar o gymnasiet.


é mais um dia de bebedeiras. para estes finalistas o primeiro em que bebem às claras durante o dia todo e ninguém lhes diz nada. uma rapariga sueca da minha residência recordava, muito nostálgica: foi o meu melhor dia! começámos a beber às 7 da manhã enquanto preparávamos o carro e só acabámos no dia seguinte, já eram quase 6. mas aguenta-se tão bem. é que como sabemos que vamos beber o dia inteiro não é preciso bebermos à alarve para ficarmos mais bêbedos. duvido que consiga encontrar descrição mais clara do que esta acerca do que realmente este dia significa por estas bandas.

um pormenor engraçado: a maior parte destes alunos não faz ideia do que vai fazer a seguir. é normal tirar um ano de folga depois do gymnasiet, ou mais. há quem trabalhe, quem passeie, quem passe o ano a meditar acerca da vida. daí ser tão normal encontrar gente mais velha a estudar nas universidades suecas.

existem também muitas pessoas que decidem mudar de carreira a meio da vida e que regressam à universidade, já com filhos e vida feita (aquela vida feita que em portugal se parece tanto com uma via de sentido único, sem cruzamentos, entroncamentos ou possibilidade de inversão de sentido de marcha), para encontrarem outro rumo. sem vergonhas, sem remorsos, sem ninguém a olhar de lado. e com projectos de infantários para os filhos dos alunos em slgumas universidades.

*estes veículos tanto são a carrinha de caixa aberta do tio, o tractor do vizinho do lado, o carro de bombeiros (!) ou o descapotável que o papá comprou há 2 dias de propósito para o desfile.

hoje é dia de arregaçar as mangas...

... e colocar por aqui umas fotos e umas coisas que têm andado a pairar à minha volta, à espera que as apanhe e as partilhe com quem cá passa.

(e assim sempre adio mais um bocadinho o pânico de amanhã ir discutir os meus resultados com 3 (TRÊS!) professores. ai!)

09 junho 2006

os suecos dão cabo de mim

três dias de receios, de irritações, de pura fúria chegam ao fim. espero.

uma coisa tão simples como avisar que precisava de prolongar o contrato de arrendamento do meu quarto deu nisto (cronologicamente):

1º não podes continuar com este quarto;

2º podes, mas tens de falar com a coordenadora dos erasmus;

3º a coordenadora dos erasmus diz-me que não posso ficar com o quarto, que nem sequer tenho nada tratado para continuar nesta universidade e que os prazos já acabaram;

(O QUÊÊÊÊÊÊÊ?! pânico)

4º a coordenadora dos erasmus continua a tentar enegrecer o quadro, dizendo que nem me vou conseguir inscrever às cadeiras que quero, porque não tenho autorização e já não deve haver lugar.

eu: não vou ter cadeiras, não preciso.

ela: mas já acabaram os prazos e não te vais conseguir inscrever.

eu: não tenho cadeiras.

ela: já acabaram os prazos.

eu: NÃO TENHO CADEIRAS.

ela: JÁ ACABARAM OS PRAZOS.

(ãh?? a compreensão neste caso não é lenta, é inexistente :o\ ao pânico junta-se a fúria)

5º a secretária do departamento diz-me que afinal está tudo bem, ela é que me inscreve e o processo é diferente. milagrosamente diz que vai falar com a coordenadora dos erasmus acerca da inscrição e do quarto e de tudo.

(fixe :o) não vou ter de ser eu - não me apetecia nada repetir o ponto 4º...)

6º a secretária do departamento vem ter comigo muito contente e diz-me que está tudo tratado, mas que tenho de mudar de quarto - o ciclo fecha-se. o que é que eu vou fazer à tralha toda? o problema resolve-se em 2 segundos: se não arranjar mais nenhum lado, hão-de encontrar um cantinho escondido algures na universidade para eu plantar as minhas coisas durante o verão.

(bom. o pânico vai-se dissolvendo lentamente)

7º a razão para ter de mudar de quarto: no próximo semestre não vou ser considerada erasmus, e o quarto onde estou é para erasmus. respiro fundo para ganhar coragem (ai o ponto 4º!) e decido ir perguntar novamente à coordenadora dos erasmus se realmente não posso ficar no mesmo quarto (já me habituei às manchas de humidade no tecto, já são minhas amigas). triste decisão a minha.

ela: não podes, é para erasmus.

eu: mas...

ela: não te preocupes. tenho a certeza que se fores à STUB eles te arranjam outro quarto na mesma residência, provavelmente até no mesmo corredor.

eu: !!!

(expliquem-me lá a diferença entre eu ter outro quarto, namesmaresidênciamesmocorredor, e um erasmus QUE SÓ VEM EM AGOSTO E AINDA NÃO TEM A TRALHA TODA AQUI ir para esse quarto namesmaresidênciamesmocorredor?! ai...)

ideia brilhante: e se eu mudar o número aos quartos? são só umas plaquitas na porta mesmo...

8º de volta à STUB, para ver se sempre há esse tal quarto namesmaresidênciamesmocorredor. há. dois. o 47 e o 49. pertencem é à outra cozinha. aquela ainda mais suja do que a minha :o\ ponto positivo: vão estar ocupados em agosto também, por isso não preciso de pagar esse mês :o) outro ponto positivo: se pedir com jeitinho consigo deixar logo as minhas coisas lá. hehehe!

(volta a boa disposição. à boa maneira portuguesa - bom, à minha maneira - digo à mulher da STUB: que bom! sabe, quando cheguei aqui estava piúrsa, mas agora estou contente.
não sei bem o que ela pensou disto, mas riu-se. aqui riem-se sempre e nunca se consegue descobrir se é só boa educação ou não)

9º continua tudo a melhorar. afinal nem preciso de pedir com jeitinho. há uma rapariga sueca que não vai estar cá durante o verão e disse-me que podia deixar as minhas coisas no quarto dela. já tenho a chave e tudo! e o sol apareceu :o) sabem que estão 18 ºC agora? um luxo por estas bandas.

(a história ainda não tem ponto final porque me falta assinar novo contrato. escolhi o quarto 47. acham bem? parece que o papel de parede é mais bonito, mas vou ter de trocar a cadeira porque o estofo cheira mal. segunda sem falta vou armada de caneta até à STUB! vamos ver se corre bem...)

06 junho 2006

ai, os meus braços

no fim-de-semana passado fui fazer canoagem. em arvika, num dos 500 000 lagos que há neste país - glafsfjorden. querem tanto um fiorde à moda norueguesa que inventam nomes assim para os lagos, hehe.

foi muito bom.

uma alemã, juliane, trabalha num centro de canoagem e foi tudo atrelado a ela: eu, outro alemão chamado bernhard e o nigeriano isaac.

depois dos preparativos - ir buscar canoas, arranjar sacos-cama para toda a gente, colocar tudo em barris para não se molhar - fomos comer! salada de atum e feijão-frade. um começo bem português.


os músculos demoraram a habituar-se ao esforço, mas a paisagem fez esquecer a dor. depois dumas horas a remar, chegámos ao sítio do descanso: uma ilha com um abrigo preparado para quem por lá passasse e, espantem-se!, um wc. foi uma surpresa muuuuuuuuuuuuuuuuuito boa (a alternativa vinha connosco nas canoas - era uma pá).

ao que parece, a câmara constrói estes abrigos e, no início do verão, coloca até lenha para quem quiser fazer uma fogueira. nós chegámos cedo, tivemos de encontrar a nossa própria lenha. não podem ser só facilidades, né?


o jantar foi batatas assadas no fogo em papel de alumínio, salsichas e marshmallows como sobremesa. ah, e bananas com chocolate assadas à ceia. foi só comer! mas merecemos, tínhamos de repôr energias.


no dia seguinte, depois duma noite que nunca chegou bem a ser noite - estamos quase no maior dia do ano e já nunca fica completamente escuro, há sempre uma luminosidade arroxeada a marcar o horizonte, voltámos para o meio do lago.

desta vez remámos menos, estava toda a gente com mais vontade de apreciar a paisagem e andar devagarinho (cansados também, mas isso não se diz em voz alta).
depois duma paragem para almoçar - é verdade sim, passámos mesmo o fim-de-semana todo a comer - regressámos ao centro de canoagem, limpámos tudo e foi o fim.


quero ir outra vez!

01 junho 2006

granizo

rosenborg, 29 maio 2006

ai de quem me vier com a conversa do ai está tanto calor, nem consigo dormir bem de noite.

28 maio 2006

karlstad -> oslo -> karlstad

e sabem que não choveu? :o)

27 maio 2006

a segunda visita!

até julho espero mais três, mas estejam à vontade para surpreender.

24 maio 2006

livros

este ano fica só a vontade.
(suspiro)


mas para arrancar um sorriso:


"Ao ler o relatório estatístico das Bibliotecas de Lisboa (BLX) no ano de 2005 foi com bastante agrado que verifiquei que foram visitadas por 760.933 pessoas. Ou seja uma média quinzenal de 31.708 pessoas. Superior à media de assistência de jogos de futebol do Sporting (23.050) e do Benfica (26.697). (...) mesmo com um investimento mínimo as bibliotecas de Lisboa superaram em entradas os novos estádios de futebol em Lisboa que beneficiaram de um investimento máximo há pouco tempo."

roubei daqui.

23 maio 2006

coisas do agora e coisas do antigamente

gosto muito disto do agora. disto da internet e tretas do género. porque estou longe e não parece. qualquer que seja a altura, olho para o ecrã do computador e encontro sempre um amigo ou dois. podemos nem conversar, mas sei que se carregar lá e disser olá recebo outro olá de volta. a coisa está tão bem feita que posso até combinar idas às compras e acreditar nelas. assim durante dois instantes, enquanto não me lembro que me separam uns milhares de quilómetros da mercearia da esquina.

mas gosto. e gosto de estar a ler qualquer coisa parva e só um português entender e mesmo assim poder partilhá-la em dois cliques rápidos. porque há portugueses em todo o lado e no meu computador há muitos.

não sempre.

há aqueles momentos em que a saudade é tanta que não dá para fingir que a distância é curta. ou aqueles outros em que o rooter do moço do quarto de cima vai abaixo e ele não está lá para arranjar e não deixou a chave com ninguém e se desespera porque um computador sem internet já não serve para nada, muito menos para mandar acenos e adeuses para longe.

e nesses momentos é que suspiro.

lembro-me dos molhos de folhas escritas que tenho guardadas em casa, cheias de desabafos juvenis - tantos problemas e tão grandes e tão pequenos e tudo. conversas que duram anos ou só o tempo da volta do correio. são todas boas. sempre gostei muito de cartas.

gosto de pegar nelas ainda fechadas e tentar imaginar o que lá vem dentro. se risos, se choros, se muitas palavras, se poucas. gosto de me demorar na caligrafia da pessoa. tentar adivinhar a pressa ou o vagar com que escreveu. e sentir os sulcos que o bico da caneta imprimiu no papel. gosto de pensar que aquela carta é só para mim, que me vem alimentar a veia egoísta. e fico vaidosa de pensar que, pelo menos durante os minutos que demorou a escrever, selar e enviar, foi tudo para mim. o que é que querem? são fraquezas.

aqui longe, a carta é isto e muito mais. muito mais que não consigo escrever. porque são pedacinhos de pessoas que vêm ter comigo. pedacinhos do sol que se envergonha de brilhar por aqui que vêm agarrados ao papel. e o mar. e as ruas. e os cheiros. e tudo.

de repente parece que já voltei. durante um bocadinho fui até ao guincho. ou perdi-me em lisboa. ou estou a comer um gelado no santini. ou a ver um filme obscuro numa sala de cinema com sofás de veludo coçado que cheiram a mofo.

hoje cheguei à residência e entrou-me um raio de sol pelos olhos adentro. no envelope vinha isto:



22 maio 2006

festas da rã

o santo antónio anda louco com a programação das festas em tires - este ano lisboa que se ponha a pau! é que com quim barreiros, daniela mercury, lucas&mateus, o padre borga, uhf, alexandra e as bombokas, ninguém vai querer saber das marchas nem das tasquinhas à porta de casa em alfama...

ah! e ainda há a mostra de gastronomia e a feira de actividades económicas e a mostra de artesanato e sei-lá-eu-que-mais. é ver aqui.

no ano passado foi assim:

(devia ser paga por isto, tenho de falar com o presidente da junta)

eternal sunshine of the spotless mind


ontem vi este filme outra vez. lembrava-me que gostava, mas já não me lembrava do tanto. gosto tANtO!

20 maio 2006

touradas e festivais da canção

com estas histórias do festival eurovisão da canção e da reabertura da praça do campo pequeno lembrei-me de ary dos santos. em 1973, fernando tordo canta assim:

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições

e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.


acerca daquele que disse que "ser poeta é escolher as palavras que o povo merece" não escrevo mais nada por enquanto. fica só o poema. ode ou crítica?