18 outubro 2016

[como quem arranca crostas de joelhos esfolados]


É Isto o Amor
 
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

 
Nuno Júdice, in 'Pedro, Lembrando Inês'

tira de moebius musical

mais do que em repeat:



25 agosto 2016

19 abril 2016

do vómito

«(...) o financiamento do Estado Social – que deveria ser o mecanismo de redistribuição de rendimento – está a tornar-se num circuito fechado entre os mais necessitados, como uma organização da solidariedade intraclasse. E com isso deixando de fora, numa espécie de quinta privada, num condomínio de luxo, intocável, os mais ricos, os mais poderosos do mundo.»

15 janeiro 2016