17 dezembro 2006

ora aqui vai uma coisa séria

que nem deveria estar a ser discutida. a ivg.

custa-me que novamente se arraste para a rua uma pergunta que há muito já deveria ter cessado de ser feita. para além de mal-construída, traz consigo uma carga subjectiva tão forte que não percebo como se pode pensar que a multidão que eventualmente apareça nos locais de voto no tal dia em que eu vou estar na suécia a roer as unhas consiga deixar de lado amores e ódios e medos, decidindo racional e socialmente.

há uns anos já se viu que não é possível. para quê insistir?

esta deveria ser uma decisão tomada longe destas paixões. desta forma, parece-me sabotagem (e desperdício de fundos).

o pior: acho a maior parte dos argumentos apresentados por ambas as partes completamente idiotas. desde a manipulação chocante de imagens de fetos abortados à campanha acéfala do aqui mando eu (estou uns anos atrasada, mas isto de estar longe dá nestas coisas. peço desculpa se, por algum milagre, se conseguiu debater o assunto com honestidade* desta vez - embora pelos pedaços que tenho apanhado por aí me pareça que não).

a estupidez enerva-me. já estou praqui a hiperventilar só de pensar nas asneiras que se dizem dum lado ao outro. por isso calo-me e transcrevo o que gente mais calma e arrumada disse, com o qual concordo quase completamente.

"A minha posição relativamente ao aborto é a mesma da Organização Mundial de Saúde, do Comité das Nações Unidas sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, nomeadamente do exposto na recomendação 24, do Programa de Acção da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento das Nações Unidas (parágrafo 8.25):


Uso combinado de Mifepristona e Misopristol, cuidados post-aborto por técnicos especializados em processos de evacuação uterina e analgesia, prevenção da infecção, tratamento de complicações, referência a serviços de Saúde reprodutiva e aconselhamento contracepcional e fornecimento de contraceptivos, cuidados de seguimento."

de a natureza do mal


"não sei o que é isso do aborto 'livre' (...). mas defendo, sim, que qualquer mulher possa decidir, dentro de um prazo de tempo razoável, se quer ou não levar uma gravidez a termo.

(...)

nada disto (...) tem nada a ver com fazer do aborto 'um vulgar contraceptivo'.

claro que pode haver quem assim o veja -- quem não se importe de se sentar numa marquesa ginecológica e pôr as pernas naqueles suportes de metal e sentir-se esgaravatada por dentro com o auxílio de um bico de pato e umas pinças e umas lâminas de curetagem e passar uns dias com hemorragias e a hipótese de umas dorzitas desagradáveis, (...) a pensar que pode sempre correr mal (e estamos só a falar dos desconfortos físicos). deve haver quem não se rale com a tortura medieval, também. mas acha o quê, que as mulheres que querem fazer abortos dia sim dia não devem ser obrigadas a ter filhos 'para aprenderem'? que os médicos sabem melhor que as mulheres se elas devem ou não ser mães? acha que ser mãe deve ser, em vez de uma decisão, um acidente? uma desgraça?"

de glória fácil


* há quase dez anos atrás a minha professora de português organizou um debate acerca deste mesmo assunto que conseguiu ser mais interessante e inteligente do que a maior parte do que se lê e ouve por aí.

5 comentários:

Rui disse...

porque e que mudaste isto?
Nao gosto de por o meu google account!!! eu quero voltar a por o blogger account! como e que faco isso? Quanto a este post: o problema e que a pergunta sera sempre subjectiva e muitas pessoas que estao na duvida sobre o que vao responder vao olhar sempre para a pergunta e decidir a partir dai...

NoKas disse...

Eu também ainda não percebi o que se está a debater! Não suporto as lágrimas de crocodilo e os argumentos do tipo "se nunca geraste vida não podes falar"... ai! até quando esta peixeirada!

NoKas disse...

P.S.- ninguém está a pedir a ninguém nada de novo. Já é permitido fazer aborto em Portugal devido a uma série de causas... é só deixar de limitar, é só mais um bocadinho... um bocadinho de respeito, digamos assim.

Claudia disse...

Para mim este assunto é de uma simplicidade incrível! Baseia-se num facto: as mulheres que querem interromper a gravidez, fazem-lo. Dependendo da sua conta bancária será de uma forma mais ou menos humana.

Todas as confusoes que se geram devem ser muito boas para audiencias televisivas e afins, pq de facto nao há nada a discutir.

petri disse...

acho o referendo uma falta de tomates tremenda do senhor primeiro ministro.
de qq maneira vou de sevilha pa ir votar e nao sei porque carga ede água é que as pessoas nao vao, porque para além de se estar de acordo ou nao, o que nao podemos é andar a mandar pessoas para os tribunais para julgamentos hipocritas. o erro na pergunta que possa coinfundir alguém... só a um determinada faixa da populaçao. nao imagino que uma pessoa com dois dedos de testa vá boicotar o referendo para quye se continue com esta situaçao ridicula. seria de gritos. E UM AMUO PARVINHO DE CRIANCICE.
AI JÁ ME IRRITEI
JINHOS