16 novembro 2007

sempre gostava que me dissessem donde vem a mania de que os portugueses é que são preguiçosos e parvos e fazem tudo ao contrário

andava eu muito entretida a arrumar frasquinhos de especiarias, quando tive a brilhante ideia de tentar abri-los para agoranãointeressaoquê. como aquilo estava a ser difícil, fiz o que qualquer pessoa em plena crise de loucura faria: fui buscar uma faca. alguém adivinha o desfecho? pois.

alguns esguichos de sangue depois, estava eu deitadinha no sofá com uma tira de lenço de assoar apertada à volta do dedo este natal não me importo se me oferecerem mais alguns destes - dei cabo do meu favorito a respirar compassadamente para ver se o zumbido nos ouvidos passava.

como o apartamento está todo de pantanas falarei do apartamento de pantanas noutro dia foi impossível encontrar pensos rápidos e desinfectante e tal. aliás, desinfectante não iria encontrar por lá de qualquer maneira. depois de me convencer que metade do dedo não me iria cair, fui dormir.

de manhã lá encontrei um penso rápido algures, mas claro que quando desenrolei o lenço aquilo começou logo a esguichar sangue de novo. vá de cortar mais uma tira ao pano e enrolar à volta do dedo depois do penso - era preciso juntar aqueles dois bocados de carne zangada.

lembrei-me então que havia uma farmácia por ali perto, e pensei em passar por lá antes de ir para a faculdade. dez minutos depois dum passeio suicida pelas estradas e passeios gelados de karlstad tenho de começar a pensar em arranjar umas daquelas tiras com espigões que os velhotes usam cá à volta dos pés lá cheguei à apotek*. adivinhem lá a que horas abre. às 9h30! e é das que abre mais cedo. e claro que às 18h fecham todas. parece que os suecos não adoecem depois do horário de expediente, nem ao fim-de-semana. será que também é assim com os hospitais? (aqui em karlstad há duas que fecham às 20h aos dias de semana, o mais tarde que se encontra alguma aberta. e há outras duas que também estão abertas durante o fim-de-semana, mas só até às 16h. por mais incrível que pareça, nenhuma dessas é a do hospital! não há farmácias de serviço para emergências)

bom, claro que não esperei - o que fez com que andasse a correr duma rua para a outra a perder autocarros. quando cheguei à faculdade, contaram-me da farmácia nas traseiras e fui até lá. depois de chorar as minhas mágoas à farmacêutica e de lhe deixar couro e cabelo por um frasquinho de seiláoquê, fui corrida até ao centro de enfermagem: ai, não me mostre isso, que horror! não, não, tem de mostrar à enfermeira. olhe lá se lhe cai o dedo aqui no meio da farmácia, que nojo!

é claro que a enfermeira olhou de soslaio para o meu arranhão, desinfectou aquilo, pôs um penso (penso e desinfectante que eu tinha comprado na farmácia e que ela me informou gentilmente serem praí 45 níveis acima do que eu precisava - em qualidade e em preço) e deve estar agora em mais uma das intermináveis pausas para café suecas a contar aos colegas que atendeu uma portuguesa aos guinchinhos por causa dum arranhãozito de nada.

quando comecei a escrever isto, tinha uma conclusão brilhante que fazia a ligação com o título. já não me lembro. deve ser do sangue todo que perdi na outra noite.


*isto da apotek é lindo. podem esquecer a livre concorrência por estes lados, pertence tudo ao mesmo. não há cá a farmácia do doutor jaquim ou da família raicoparta. para além de terem todas mais aspecto de perfumaria do que de farmácia...

8 comentários:

ana salomé disse...

isto está brilhante, purpurina*

espero que o teu dedo esteja melhor.

Blogga disse...

de facto!!! q bonito!
Sempre venho aqui antes de ir para casa! Dá-me logo bom humor depois de um dia-daqueles-de-laboratorio :) ***

3a disse...

vibrei intensamente com este relato até ao fim, sempre a imaginar o que sucederia! adorei! =D

é giro ver as diferenças entre países e culturas, descritas assim de modo casual.

purpurina disse...

para descansar os mais desassossegados: o arranhão está quase curado.

(desejo secretamente que deixe pelo menos uma marca leve para ser um pouquinho menos gozada quando for passear até casa...)

*

Maria Augusta disse...

Olha Ana Sofia, também já tentei abrir frascos de compota desse modo, embora tenha sido mais bem sucedida...
Mas sabes? Existem naquelas casas de bricolage uns instrumentos milagrosos que abrem tampas de frascos de vários diâmetros, muito muito facilmente, nem é preciso grande força.Tenho dois.Terás de comprar um.Quem sabe se o pai natal te poderia pôr um na chaminé?
Desejo-te as melhoras.Beijinhos.

purpurina disse...

hum... se calhar até já tenho uma coisa dessas por cima do lava-loiça. sempre achei que fosse para tirar caricas, hehe!

beijinho

Mila disse...

pois... o mesmo por terras holandesas... eu nem sei onde é o hospital mais perto...axo k se um dia ficar doente, nem k seja so febre tres dias sgeuidos, ou assim, telefono pa ambulancia me vir buscar... ou entao espero para quando xegar a portugal... lol

por falar em ir pa portugal, temos que falar e ja te adicionei no msn, mas nao deves ter gxtado do meu nick, nao me reconheceste...

purpurina disse...

pois, acho que até te bloqueei.

quanto à viagem, já me disseram qualquer coisa. vamos usar companhias diferentes e chegar a horas diferentes, mas envia-me um mail a explicar tudinho.

beijinho